Dois membros do PCC são mortos antes de realizar ataques contra PM

A Bigorna 19/02/2019 23:20:00 1676 visualizações
# legenda: Casos de polícia

Dois criminosos encapuzados que seriam da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) foram mortos, no início da madrugada desta segunda-feira (18), ao tentar realizar um suposto atentado contra a Polícia Militar, nas proximidades do Terminal Rodoviário do Tietê, na zona norte de São Paulo.

Segundo a PM, quatro policiais estavam parados fora da viatura, na avenida Moyses Roysen, que dá acesso à marginal Tietê, quando avistaram um GM Celta, preto, com placas da cidade baiana de Feira de Santana.

Instantes antes, a central de comunicação da PM recebeu um telefonema anônimo dando as características do Celta. Segundo a denúncia, indivíduos encapuzados teriam afirmado que iriam atacar a Base da PM, localizada no Terminal Tietê, de dentro do GM. A denúncia foi repassada a todos os policiais da área.

Cientes da denúncia, os PMs embarcaram em uma viatura e perseguiram os suspeitos, por poucos metros, até um terreno baldio, ainda na avenida Moyses Roysen.

De acordo com boletim de ocorrência, os suspeitos trafegaram cerca de 200 metros para dentro do terreno quando o desempregado David Ricardo de Souza, de 31 anos, disparou, de dentro do carro, com uma espingarda calibre 12. O tiro quebrou o vidro traseiro do carro dos criminosos.

Souza, que estava no banco do passageiro, disparou ao menos mais duas vezes, atingindo o para-brisa do carro da polícia, que revidou. Nenhum policial se feriu.

Souza foi baleado uma vez no peito e duas no queixo. Vestia capuz, colete à prova de balas e roupa preta, da mesma forma que o outro criminoso, que dirigia o Celta e estava sem documentos. Ele não havia sido identificado até a publicação desta reportagem. Também morreu, com cinco tiros.

Com a dupla de criminosos foram encontradas uma espingarda calibre 12 com numeração raspada, uma pistola calibre 380, além de R$ 40.

A polícia informou que Souza foi abordado no domingo (17), nas imediações do Terminal do Tietê. Ele foi encaminhado à delegacia, pois estava com um celular, no qual continham “conversas que versavam sobre o mesmo estar com a missão de realizar um ataque a base policial do Terminal Rodoviário Tietê, em retaliação às transferências de membros de facção criminosa”, diz trecho de relatório da PM. Porém, foi solto na ocasião.

Transferência para presídios federais

As policias Civil e Militar de São Paulo redobraram a atenção desde o último dia 13, quando o líder máximo do PCC Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, e mais 21 membros da facção criminosa foram transferidos da penitenciária de Presidente Venceslau (611 km de São Paulo) para presídios federais.

Por conta disso, a PM suspendeu as folgas de seu efetivo, no último fim de semana, além de escalar parte de seu setor administrativo para atuar também nas ruas.

No mesmo dia em que a cúpula do PCC foi transferida, a Secretaria da Segurança Pública (SSP), sob gestão de João Doria (PSDB), deflagrou a “Operação São Paulo Mais Seguro”.

Desde então, por tempo indeterminado, foram posicionados 21.934 policiais, em 3.362 pontos de todo o estado, com o apoio de 8.104 viaturas e 13 aeronaves.

Em 24 horas de ação, foram presas 226 pessoas, além de capturados 100 foragidos da Justiça.

O professor Rafael Alcadipani da Silveira, da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, afirmou que é necessária “uma investigação mais aprofundada” sobre o suposto ataque que a PM iria sofrer na região do Tietê.

Porém, não descarta uma futura manifestação de força do PCC. “Como o PCC vai manter sua ‘fama de mau’ sem retaliar? No mundo do crime, isso [não reagir aos inimigos] não é bem aceito.”

Alcadipani acredita que, diferentemente do Ceará – onde ocorreram centenas de atentados a ônibus e prédios públicos – os eventuais ataques do PCC “serão mais focados”.

 “Se de fato for real que os dois homens mortos iriam realizar um ataque à base da PM no Tietê, isso denota que o PCC vai agir de forma mais focada em suas ações. Gerando mais impacto do que se queimar ônibus”, afirmou o especialista.

No dia da transferência da cúpula do PCC, o comandante-geral da PM, o coronel Marcelo Vieira Salles, enviou um comunicado – por escrito e em áudio – orientando para que policiais militares de todo o estado redobrem a atenção nas ruas, tanto em ocorrências simples como complexas.

 “A atenção deve ser em 360 graus, acompanhando os que estão pelo local ou aqueles que se aproximam. Enfim, quando se trata da sua própria segurança, todos os detalhes são importantes e merecem atenção e prevenção”, diz trecho do comunicado, que é finalizado com a orientação: “A cautela é sua maior aliada”.

A SSP divulgou nota em que orienta à população para que não compartilhe, nas redes sociais, áudios e textos atribuídos ao PCC.

 “As forças de segurança do Estado de São Paulo tem adotado todas as medidas preventivas para garantir a segurança da sociedade”, diz trecho de nota.

A pasta acrescenta que o “sistema de inteligência da polícia” recomenda para que “não se dê credibilidade” às mensagens, com autoria desconhecida, “cujo objetivo é gerar desinformação”.

 “O enfrentamento contra o crime organizado é uma luta prioritária do Governo do Estado em parceria com o Governo Federal, que deve contar com a colaboração de toda população”, finaliza.

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