Fundador da Fampop, Juca Novaes prepara livro que revela bastidores do festival

A Bigorna 17/01/2019 00:30:00 1352 visualizações
# legenda: Juca Novaes

Um dia antes da coletiva que anunciaria a presença de Lulu Santos na 22ª Feira Avareense da Música Popular (Fampop), em 2004, o produtor Juca Novaes (foto), um dos fundadores do festival, recebeu uma ligação pouco auspiciosa.

 “Aconteceu um problema e o Lulu Santos não vai mais”, disse o empresário João Mário Linhares. O “problema” era que, por um descuido, o show havia sido marcado no dia do aniversário de Scarlet Moon, então esposa do músico carioca. E Lulu havia prometido levá-la à Europa.

Era o segundo bolo que o cantor dava no festival. O primeiro havia sido em 1994. Naquele ano, Tim Maia acabou escalado para o seu lugar e garantiu uma das apresentações mais folclóricas da Fampop.

 “O contrato já estava assinado, mas eu fiquei no mato sem cachorro”, conta Novaes. “Como advogado, eu poderia levar o Lulu à Justiça e o município receberia uma indenização depois de 5 ou 10 anos de disputa. Acontece que isso não resolveria o meu problema”, relata.

Contudo, o empresário em questão também portava a luz no fim do túnel: o grupo mineiro Jota Quest. A comissão organizadora bateu o martelo na hora.

Na manhã da coletiva, um jornal de Avaré deu a seguinte manchete: Lulu Santos na final da Fampop! “Eu consegui, ainda que de maneira inesperada, driblar o vazamento da informação por conta dessa mudança da véspera”, lembra Novaes.

Anos antes, outro “probleminha” havia inviabilizado a participação de Lobão na Fampop. A negociação já estava adiantada, mas o músico, que visitava os Estados Unidos, acabou detido assim que botou os pés no Brasil.

 “O Boris Casoy anunciou no seu jornal que Lobão tinha sido preso ao desembarcar. Foi uma decepção. Estava muito próximo de anunciar o show”, conta.

Curiosamente, o mesmo empresário do episódio do Lulu Santos montou um show com o Boca Livre, Flávio Venturini e Lô Borges. “A gente brincava: não veio o Lobão, mas veio o Lô Borges”, se diverte o produtor. 

Os relatos obtidos com exclusividade pelo Fora de Pauta farão parte do livro que Juca Novaes prepara sobre a Fampop, um dos festivais musicais mais importantes do país.

O anúncio foi feito esta semana na rede social do avareense. Não há previsão de lançamento.

Os antecedentes da feira

A obra começa com o que Juca chama de “pré-história” da feira. “Minha vitória no festival da Pontifícia Universidade Católica (PUC), um ano e meio antes da criação da Fampop, deu ensejo à fundação do grupo Fruto Primeiro, que integrei juntamente com cinco dos meus irmãos, que por sua vez inspirou a criação do grupo Avaré, liderado por Cláudio Guerra e José Fernando Rocha Coelho, que contava ainda com participação de Clóvis Guerra e Fernando Caram”.

Nesse meio tempo, Juca se torna amigo de José Mário Nevado Guerra, organizador do festival da PUC que virou peça importante para a implementação da feira avareense.

A eles se juntaram Fábio Correia Martins, Paulo Guazzelli, José Eduardo Gonçalves Pinto e Ciro Piagentini Cruz, além de Julieta Pires e Therezinha de Moraes, funcionárias da prefeitura, que integraram a comissão organizadora da primeira edição em 1983.

 “Existia um caldo de cultura muito forte”, rememora Juca. “Mas a pedra de toque que viabilizou tudo foi a vitória do meu pai, Paulo Dias Novaes, nas eleições de 1982. Ele deu apoio às ideias que apresentei em nome do grupo, conseguiu os patrocínios e foi um grande entusiasta do festival durante todo o seu mandato. Não teria existido Fampop sem ele”.(DoForadePauta/FlávioMantovani)

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