• 475 Jornal A Bigorna 24/10/2021 18:40:00

    Palanque do Zé

    Avisos anti mi-mi-mi:

     

    1 - Não sou especialista em educação

    2 – Sou deficiente físico

    3 - Já fui Diretor da APAE local

     

    Feitas as considerações iniciais, passo a explanar.

    Acredito ser errada a política que os Governos Estadual e Federal vêm aplicando nos últimos anos, no sentido de forçar uma suposta inclusão dos alunos com deficiência, nas escolas públicas.

    Digo isso porque uma criança com necessidades especiais atrapalha o desenvolvimento normal da aula, o que prejudica os demais alunos. Bem como, a metodologia empregada para o ensino das massas, que é toda baseada no ser humano médio, é simplesmente ineficaz para aqueles que contam com necessidades especiais!

    Não se trata de segregação ou de investir menos em um grupo. Se trata de garantir que todos, sem exceção, possam ver as suas potencialidades descobertas e desenvolvidas na escola.

    A verdade é que as APAES do Brasil todo, inclusive a unidade existente em nossa cidade, é muito mais capaz de fazer com que um deficiente consiga aprender tudo aquilo que precisa para ser independente tanto quanto possível, do que a Rede Pública de Ensino.

    E eu sou a prova viva disso! Me lembro exatamente de quando consegui segurar um lápis. E foi numa das carteiras verdes da APAE Avaré.

    A política de colocar todos num único ambiente está criando uma geração despreparada, desqualificada e dependente. E esse é justamente um dos (muitos) motivos.

    Cada pessoa é única e compete aos professores – grandes arquitetos da sociedade – fazer com que aflorem. Mas para isso, temos que garantir que somente os alunos medianos estudem juntos, pois estes serão capazes de aprender como eu ou você.

    Aqueles que demonstram estar acima da média, por outro lado, merecem ser superdesenvolvidos para serem os cientistas do amanhã.

    Já os deficientes, assim como eu, tem o direito constitucional de terem uma educação voltada para as suas necessidades. Isso é o que vai garantir que possam levar uma vida o mais normal possível.

    Talvez agora você deva estar pensando: Mas nem todos os deficientes têm dificuldades no aprendizado.

    Realmente. Eu nunca tive. Depois que a APAE me ajudou a segurar o lápis, foi tudo dentro da média. Estudei em escolas particulares e públicas, fiz faculdade e hoje sou pós-graduado.

    Mas e quem tem deficiência visual, auditiva ou mental? Será que essas pessoas tiveram a sua melhor forma revelada pela escola comum, ou só foram passadas de ano?

    Manter essa política perversa em nome de uma suposta inclusão social é no mínimo criminoso. Existem outras maneiras de incluir pessoas na sociedade, tal como criação de vagas de empregos específicas para deficientes ao invés de cotas, adoção de políticas de acessibilidade nas vias públicas e etc.

    A verdade é que os Professores que estão lotados nas classes que contam com alunos muito  abaixo ou acima da média, são obrigados a escolher quem irá aprender. E a lógica, ainda que perversa, manda que escolham a maioria.

    O resultado? Deficientes dependentes de familiares e amigos para o básico pelo resto de suas vidas e gênios jamais descobertos, simplesmente porque o Estado errou ao escolher a metodologia de ensino aplicada para a sua individualidade.

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