• Taguaí: motorista que bateu em carreta havia reclamado da condição do veículo, diz advogado

    Acidente

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    256 Jornal A Bigorna 11/01/2021 10:00:00

    Motorista, que sobreviveu ao acidente, relatou à polícia que causa foi falha nos freios. Empresa de transporte nega ter recebido qualquer reclamação sobre condições dos veículos. Acidente matou 42 pessoas no interior de São Paulo.

    O maior acidente de trânsito no estado de São Paulo nos últimos 22 anos, que aconteceu em Taguaí (SP), e deixou 42 mortos, completou 45 dias neste sábado (9). A batida entre uma carreta e um ônibus que levava trabalhadores aconteceu na Rodovia Alfredo de Oliveira Carvalho, dia 25 de novembro de 2020. Entre as vítimas estavam moradores de Itaí, Taquarituba (SP) e do Paraná.

    Mauro Aparecido de Oliveira, de 55 anos, motorista do ônibus, e que foi um dos 12 sobreviventes, teria reclamado várias vezes da má condição do veículo, segundo o advogado de defesa.

    Ele dirigia o ônibus da empresa Star Turismo, que tinha como destino a fábrica Status Jeans, em Taguaí. Segundo Mauro relatou à polícia, uma falha nos freios do veículo teria causado o acidente.

    A Star Turismo nega ter recebido qualquer reclamação sobre as condições dos veículos e disse que o ônibus do acidente nunca havia circulado com aqueles passageiros, sendo no dia do acidente, a primeira vez que transportou os trabalhadores da empresa de Taguaí.

    De acordo com a investigação, alguns passageiros chegaram a dizer para a polícia que o veículo estava em alta velocidade e havia tentado uma ultrapassagem, versão que foi negada por Hamilton Gianfratti, advogado do motorista, em conversa com a TV TEM por telefone.

    "Eu vejo como uma tragédia anunciada. O próprio Mauro me relatou que, diversas vezes, ele reclamou das condições gerais do veículo, não só do sistema de freio. Pra testemunhar isso há testemunhas, inclusive, vizinhos que se dispõem a testemunhar, dizendo que acompanharam aquela angústia do Mauro em ter que pilotar ônibus em condições não ideais", diz o advogado Gianfratti.

    "Em uma oportunidade, ele chegou a se negar a pegar o ônibus. Falou: 'esse ônibus tá sem freio'. Foi cedido um outro ônibus pra ele. Não muito em melhor condição, e outro colega dele passou a assumir aquele ônibus que ele se negou a dirigir", explica a defesa.

    A polícia espera um laudo, feito em todos os veículos e no local, para concluir a investigação. O resultado da perícia também deve sair nos próximos dias e mostrar se os freios falharam ou não.

    O motorista da carreta, que estava em sentido contrário do ônibus, morreu no acidente. Os outros dois condutores já foram ouvidos, assim como os passageiros do ônibus, exceto o único que ainda está internado.

    O último sobrevivente internado é um jovem, de 26 anos, que recebeu alta da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e está hospitalizado na ala de enfermaria do Hospital das Clínicas de Botucatu (SP).

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