Alteração climatológica na ordem do dia
Por Guilherme de Andrades
O capitalismo surgiu no fim da Idade Média, com o surgimento da burguesia comercial, e cresceu na Idade Moderna, primeiramente em sua fase de acúmulo de capital e metais preciosos e posteriormente, sua consolidação ocorreu com o advento da Revolução Industrial Inglesa em 1750. Fato é que após final do século XVIII, as chaminés do industrialismo iniciaram uma poluição crescente e constante no meio ambiente, culminando nas mudanças climáticas do século XXI, pauta de extrema relevância na atualidade mundial.
Toda nação que deseja sobreviver no futuro, deve inserir a questão da alteração do clima no topo das agendas, a crise atual é única na História, podendo provocar efeitos para a eternidade. Considerando certo determinismo, é a ação do homem que controla os destinos, com enfoque em suas escolhas. As taxas de umidade do ar e as elevações das temperaturas aceleram-se, o degelo intensifica-se. A História oferece exemplos de cataclismas ocorridos e seus resultados catastróficos no socioeconômico associados ao clima, antes interpretados como castigos divinos aos pecados. Agora é cientificamente comprovado o fator humano.
O apogeu do Império Romano aconteceu numa atmosfera de aquecimento moderado e umidade, favorecendo a agricultura, e sua ruína eclodiu em meio a alta temperatura e umidade e explosões de vulcões, aspectos não habituais na época. O declínio do Feudalismo, de base agrária, foi causado, entre outras motivações, pelo fator climático diferenciado do padrão existente, a Grande Fome causou a desnutrição e menor imunidade, que gerou epidemias mortíferas. A Queda da Bastilha em 1789 foi precedida por verão frio e chuvas de granizo na França de 1788, destruindo a colheita.
A exemplificação mencionada e a contribuição tecnológica de monitoramento do presente devem atuar e serem interpretadas como sinais de alerta para a população deste período e para as futuras gerações, a Terra encontra-se “idosa” com menor capacidade de sustentar a vida humana.
Nesta semana, a terrível e trágica chuva em MG gerou caos, mortes, deslizamentos, a ampla cobertura midiática é instantânea, sobretudo nas cidades de Ubá e Juiz de Fora. Deve-se considerar o fator político: o governador Romeu Zema, do Partido Novo, ligado ao bolsonarismo, cortou verbas anualmente para o combate à mudança climática, neste caso em específico, associado a chuvas intensas. Deve-se recordar do Rio Grande do Sul, onde a tragédia foi mais traumática em 2024.
O cuidado com o clima é uma urgência mundial, no arcabouço governista, medidas de enfrentamento devem ser incluídas, bem como verbas. O negacionismo não é uma resposta válida no estágio atual do planeta.
Sobre Guilherme de Andrades:
Professor/Historiador, especialista em História e Geografia do Brasil, bem como em Metodologias do Ensino. Possui certificação USP sobre Geopolítica Contemporânea.













