Uma nova classe de medicamentos para o tratamento da insônia deve começar a ser vendida em breve no Brasil. Os antagonistas duplos dos receptores de orexina, conhecidos como DORA, devem chegar às farmácias do País ainda neste ano e pretendem competir com as drogas Z, como o Zolpidem. O lemborexante, registrado com o nome comercial Dayvigo, foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em abril do ano passado e será comercializado pela Eisai. Além dele, a farmacêutica EMS anunciou uma parceria com a suíça Idorsia para trazer o daridorexanto.
A orexina, também conhecida como hipocretina, é um neurotransmissor cerebral que atua na promoção e manutenção da vigília. Os novos medicamentos bloqueiam a ação desse composto, impedindo a sinalização que mantém as pessoas acordadas.
O mecanismo é diferente do encontrado nas drogas Z, já que remédios como Zolpidem e zopiclona atuam no neurotransmissor GABA, principal inibidor do sistema nervoso central, afirma Lúcio Huebra, neurologista e membro da diretoria da Academia Brasileira do Sono.
“Exatamente por terem seu mecanismo de ação não relacionado com o neurotransmissor GABA, inibitório, as drogas da classe DORA têm um menor potencial de dependência, tolerância e abstinência”, explica.
Huebra também afirma que o daridorexanto e o lemborexante têm se mostrado medicações seguras e com poucos efeitos colaterais. Eventos como paralisia do sono, alucinações e perda breve do controle voluntário dos músculos (cataplexia) ocorrem em 1% a 2% dos pacientes.
Mas, por serem sedativos, ambos podem aumentar o risco de acidentes durante a noite e no dia seguinte, como efeito residual, alerta Pedro Genta, pesquisador do Laboratório de Investigação Médica em Sono da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).
“Efeitos colaterais mais específicos se devem ao papel da orexina no sono REM, o sono dos sonhos. Pode haver sonhos vívidos e paralisia do sono”, reforça.
Diferenças
Apesar de pertencerem à mesma classe, há diferença entre o lemborexante e o daridorexanto.
O produto da Eisai tem uma meia-vida mais longa, o que significa uma potência maior de manutenção do sono. Por outro lado, essa capacidade superior pode aumentar o risco de sonolência residual matinal.
Além deles, o suvorexante é outro remédio da classe DORA que pode ser introduzido no mercado brasileiro futuramente, segundo Genta.(Do Estado de SP)













