O presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicia seu último ano de mandato com índices de aprovação mais favoráveis do que há 20 anos, quando foi reeleito, mas em um cenário de incertezas maior do que o enfrentado na época. Diante de um ambiente de polarização política, analistas apontam que temas como segurança pública, insegurança econômica e a falta de atenção a grupos como trabalhadores informais podem dificultar a caminhada para que o petista conquiste a cadeira pela quarta vez.
Lula enfrentou em 2025 uma crise de popularidade que levou sua aprovação aos níveis mais baixos de seus três mandatos, mas chega ao fim do ano com uma taxa de ótimo e bom de sua administração superior à que tinha no início de 2006, quando se encaminhava para disputar sua primeira reeleição, tendo, à época, como principal rival o ex-tucano e hoje vice-presidente Geraldo Alckmin.
Em dezembro de 2005, apenas 28% dos eleitores classificavam o governo Lula como ótimo ou bom, segundo o Datafolha, uma queda acentuada em relação aos 45% registrados um ano antes. O principal fator de desgaste era o escândalo do mensalão, que dominava o noticiário e era explorado de forma sistemática pela oposição tucana na pré-campanha eleitoral.
Já em 2025, a aprovação do presidente subiu de 24% em fevereiro para 32% na pesquisa mais recente do Datafolha — o índice se aproximou ao registrado no fim de 2024 antes da queda de popularidade com a crise do Pix. Se a inflação dos alimentos era o principal fator de desgaste, afetando sobretudo os eleitores de baixa renda, ao longo do ano, uma safra recorde de grãos e a manutenção dos juros em patamar elevado contribuíram para desacelerar os preços. A inflação acumulada em 12 meses no grupo alimentos e bebidas caiu de cerca de 7% para 3,88%, segundo o IPCA.(Do Globo)













