O cenário global amanheceu, mais uma vez, sob o estrondo ensurdecedor de turbinas de guerra. Os números, por si só, são alarmantes e dispensam eufemismos: 78 caças foram deslocados em menos de 48 horas, uma vasta frota de aviões-tanque cruza o Atlântico em um fluxo contínuo, e aeronaves de combate de quinta geração, como os caças furtivos F-22 Raptor e F-35 Lightning II, estão sendo posicionadas no coração do Oriente Médio. O que os monitores de tráfego aéreo captaram não se resume a um mero exercício militar; é o prenúncio de uma tempestade perfeita iminente sobre o Irã.
O texto que fundamenta esta análise transcende a descrição de uma simples provocação. Ele detalha a logística meticulosa de um ataque que se desenha como iminente. A presença de seis aeronaves-radar E-3 Sentry e do veterano avião espião U-2 Dragon Lady na Europa não deixa margem para dúvidas: os Estados Unidos estão estabelecendo um teatro de operações completo. Não se trata de uma resposta pontual ou de um ataque de caráter simbólico. A engrenagem militar norte-americana está em pleno movimento, visando uma ação cirúrgica ou, potencialmente, um conflito de proporções muito maiores.
A escolha do arsenal bélico é particularmente reveladora. O emprego do F-22 Raptor, a joia da coroa da aviação americana, envia uma mensagem inequívoca. Conforme análises de dados anteriores, a combinação desses caças com bombardeiros estratégicos B-2 Spirit já foi testada contra instalações nucleares iranianas. Isso sugere que o alvo pode ser, novamente, a infraestrutura central do programa nuclear iraniano ou, em um cenário mais agressivo, a própria liderança da teocracia islâmica em Teerã. É a doutrina da "decapitação" sendo levada às suas últimas consequências.
Contudo, ao observar o poderio militar que está sendo concentrado — com aproximadamente 600 mísseis Tomahawk na região, um porta-aviões já em posição e um segundo a caminho — analistas militares ponderam, com razão, que essa mobilização pode indicar uma guerra de escopo mais amplo. Diferentemente de intervenções recentes em nações com capacidade bélica limitada, o Irã possui um aparato militar complexo e uma notável capacidade de resposta assimétrica. Ataques aéreos maciços podem não ser o desfecho, mas sim o catalisador de um conflito de proporções imprevisíveis, com potencial para se espalhar por toda a região, envolvendo o Estreito de Ormuz, milícias aliadas no Iêmen, Síria e Líbano.
Vivemos em um mundo que se fragmenta a cada dia. Enquanto acompanhamos a logística deste ataque iminente ao Irã, é imperativo não ignorar o contexto geopolítico global. A operação que deslocou o porta-aviões USS Gerald R. Ford do Caribe para o Mediterrâneo — após a captura de Nicolás Maduro — simboliza a dinâmica de um tabuleiro de xadrez global onde as peças são movidas em velocidade supersônica. A cada dia, um novo foco de tensão emerge, e as soluções diplomáticas parecem ceder lugar à demonstração de força bruta.
O que estamos testemunhando é a perigosa normalização da guerra como instrumento primordial da política internacional. A "armada voadora" que cruza o Atlântico não transporta apenas armamentos; carrega também o peso de um sistema que parece ter perdido a fé no diálogo. A incessante fila de cargueiros C-17 Globemaster III, indo e vindo de bases europeias, não transporta apenas suprimentos; ela carrega a certeza de que a Europa, mais uma vez, servirá de plataforma para conflitos em suas fronteiras adjacentes.
Diante da iminência de mais um conflito de grandes proporções, a pergunta que ecoa é: até quando a comunidade internacional permanecerá como mera espectadora desses movimentos? O mundo está se habituando à ideia de que a guerra é uma extensão da política por outros meios, mas esquece que, ao naturalizar o som dos caças, estamos nos acostumando também com o silêncio das vítimas que inevitavelmente virão.
O ataque ao Irã, caso se concretize, não será apenas mais um capítulo na conturbada relação com os EUA, mas um marco na escalada de um mundo que, dia após dia, opta pelas bombas em detrimento das palavras.
*Por André Guazzelli
Abaixo em detalhes onde estão localizados os armamentos americanos
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