Há quem não goste de Chico Buarque depois de suas postuladas posturas políticas, mas inegavelmente ele é um dos maiores gênios da música e da literatura brasileira e foi na época da ditadura que ele produziu algumas de suas melhores obras – entre elas a que emprestamos para intitular essa matéria. A expressão sintetiza uma súplica por algo que se deseja ver à distância. Boa parte da música faz uma analogia entre a Paixão de Cristo e o sofrimento vivido pela população aterrorizada com o regime autoritário. O refrão faz uma alusão à agonia de Jesus no calvário, mas a ambiguidade da palavra “cálice” em relação ao imperativo “cale-se”, remete à atuação da censura.
Emprestamos esse contexto para usá-lo nesta matéria, pois espelha a forma de agir do atual governo. Jô Silvestre Filho, sua irmã Bruna e a maioria de seus secretários não sabem lidar com as críticas e não as suportam. Ou você é “com eles ou contra eles”; não existe meio termo, nem democracia. Além das denúncias de perseguição por parte do funcionalismo público que não concorda com ele, o governo e seus subordinados usam a rede social para impor a bebida amarga. Aliás, foi na rede social que meses atrás o prefeito anunciou que iria processar qualquer um que o criticasse, como forma de ameaçar as pessoas e seu direito de expressão. O secretário de Comunicação, Josena Bijolada Araújo, tem usado seu programa na emissora em que trabalha, para criticar a imprensa e defender o governo – algo que não fazia antes. Até mesmo subordinados “menores” tentaram e tentam intimidar jornalistas e pessoas que não aprovam atitudes do governo.
Inacreditavelmente, os maiores críticos do governo têm sido também seus eleitores. Contudo, nem eles têm suas opiniões respeitadas. Ao contrário. O lema parece ser “Criticou? Será bloqueado!”. Os casos mais recentes ocorreram este mês. Um deles envolve o secretário de esportes, Leo Rípoli que segundo professores de educação física, teria postado fotos de um evento promovido por eles como se sua secretaria o tivesse realizado; mas na verdade, os professores afirmam que ele sequer apareceu no evento escolar ou nas reuniões preparatórias. Apenas a secretaria de Educação teria dado apoio ao evento esportivo (III Olimpíada Interescolar) que envolveu várias escolas. O secretário nem precisou responder, pois a sogra o defendeu e mandou os professores trabalharem mais. Depois, todos foram bloqueados.
A vice-prefeita Bruna Silvestre também chamou a atenção da imprensa já que tem usado com frequência a rede social para fazer desabafos – principalmente em relação à críticas que ela e o governo tem recebido. Entretanto, pelas postagens que tem feito a vice-prefeita não parece estar confortável no cargo. Ela chegou a admitir que não era convidada para alguns eventos.
Bruna criticou o vereador Flávio Zandoná (PSC) que havia exibido um vídeo na sessão do Legislativo, mostrando que ela enquanto vereadora criticou a Emapa, na época de Poio Novaes. Primeiro, a crítica foi endereçada ao edil Toninho da Lorsa (PSDB); depois, a Zandoná. “Mais vale lembrar que quando critiquei o governo anterior e o que ele fez por Avaré na minha época de verância ,critiquei a falta de tampar os buracos, o qual deixou a nós hoje crateras na nossa cidade. Critiquei a falta de infraestrutura básica e falta de pagamento dos funcionários em dia. Ah coloca esse vídeo também... !!! . Pq quando vereadora eu eleogiava quando era certo e brigava quando era errado. Pq isso meu caro , isso sim é defender os direitos dos nossos munícipes sem lado partidário e nem interesse futuro”, diz a vice-prefeita no post transcrito ipsis literis para não haver “problema”. Bruna continua :“Agora não sou a dona da " caneta" e também não recebi nenhuma secretária, mais faço meu trabalho de vice prefeita mesmo não tendo autonomia. Não precisava vir aqui e escrever essa "resposta", até porque quem me conhece sabe que desde dos tempos de câmara nunca gostei de fazer de cargo publico para me aparecer , tanto que não vou a eventos como muitos que são figuras repetitas. Afinal, como sempre falo cada pose é " flash". Ah mais uma vez deixo a dica e esta na Lei Orgânica do Municipio de Avaré, se vocês tem dúvidas de alguma coisa vocês podem ir ate o setor da Prefeitura”.
Num outro trecho, respondendo a uma internauta que a critica, ela alfineta o secretário Roslindo Machado : “Concordo que a saúde não está mil maravilhas mesmo (...)O problema é que não sou quem mando, e o secretário da saúde não ajuda”. O comentário foi apagado posteriormente, mas antes foi printado. Depois ela ainda anuncia, em resposta a um internauta que a elogia por “dar nome aos bois” : “daqui uns dias vou dar nome de uma boiada”.
E por falar em boiada, a título de curiosidade, a reportagem do in Foco ainda não conseguiu descobrir porque o prefeito Jô Silvestre e sua irmã Michele, teriam deixado à sociedade da empresa Barra Grande Agropecuária Ltda, que abriram em 13 de dezembro do ano passado juntamente com a mãe, Eunice e cujo valor de capital é de 360 mil reais. A empresa atuaria no ramo de “apoio a pecuária”, conforme registro na Jucesp e teria como “sede” uma casa na rua Suécia,88 (casa que na relação de bens apresentada pelo então candidato Jô Silvestre é avaliada em 30 mil reais). Estranhamente o telefone da empresa é de um escritório de advocacia em São Paulo. No dia 26 de janeiro, Jô e a irmã se retiraram da empresa, ficando a mãe como majoritária. Bruna não faz parte da empresa.
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A verdade é que mesmo calada a boca, resta o peito e ninguém se calará diante de qualquer denúncia ou inverdade. Como diria Chico (não aquele que bate em Francisco), “de muito gorda a porca já não anda” e nenhuma palavra ficará presa na garganta. (Do Jornal InFoco)
“Plagiando o poeta:
O prefeito é um fingidor.
Sua vice é muito mais.
Finge tão perfeitamente,
Que às vezes lembram o pai”
Paródia do leitor e poeta José Cláudio Cardoso













