Os pombos de São Paulo – indagações sobre o livre-arbítrio

A Bigorna 07/12/2019 16:10:00 593 visualizações
Os pombos de São Paulo – indagações sobre o livre-arbítrio legenda: Artigo Foto Fonte: Jornal A Bigorna

Somos essencialmente programados ou existentemente livres?

Será que já nascemos destinados a agir de maneira pré-estabelecida ou o mundo externo é apenas reflexo da liberdade interior?

O filósofo suíço do século XVII, Jean-Jacques Rousseau, menciona que os animais (como o gato e o pombo) são máquinas engenhosas e dirigidas puramente pelos instintos naturais. Em outras palavras, não têm o “poder” de escolha - é a natureza que comanda suas ações, impulsos, vontades, enfim, a própria existência.

Exemplo: Se analisarmos o comportamento do gato da minha “tatatataravó”, concluiríamos que ele cresceu, reproduziu e morreu igual os bichanos de hoje em dia. Simples! Os felinos não têm a opção de voar, se alimentar de banana ou mergulhar nas profundezas em busca de peixe. Nasceram moldados, definidos, com “softwares programados” para executarem tais e tais funçōes. Nas palavras de Rousseau: “Assim é que um pombo morreria de fome perto de uma vasilha repleta das melhores carnes”.

Mas e nós, como ficamos visto que também pertencemos ao reino animal?

Estará o Homo Sapiens programado a cumprir cegamente uma biografia, feito robôs? Deus criou tudo pronto e acabado, sem brechas para decidirmos a respeito das coisas ou a liberdade é um fenômeno latente nas criaturas? Tipo fantoches temporários? Então onde ficaria o livre-arbítrio? Será que a vida é um livro com as páginas em branco, uma tábula rasa que decidimos a cada milésimo de segundo o final do capítulo?

Consegue perceber a nossa limitação diante do mecanismo de possibilidades? Veja, mesmo se desejássemos não escolher absolutamente nada, ainda sim estaríamos fazendo uma escolha de não fazermos nada.

Jean Paul Sartre (filósofo existencialista do século XX) diz:

”Estamos condenados à liberdade e somos os verdadeiros responsáveis pelo que fazemos com o que fazem de nós.”

A criança que é abandonada no orfanato (sem entrar em méritos reencarnacionistas) não deliberou isso. Por “N” motivos, aconteceu. Abandonaram-na! O pequeno (a) não teve opção. Estava fora da sua ossada de decisões. Consegue entender? Nesse sentido que a frase de Sartre é uma relíquia.

Friedrich Nietzsche (filósofo alemão do século XIX) deixa claro que somos tão animalizados, grotescos e movidos pelos apetites físicos, quanto qualquer mamífero selvagem. A diferença é que a mente racionaliza as atitudes inventando belas desculpas para saciar os desejos, ao contrário de um lobo, que não conta ladainhas para copular – só briga com quem tem que brigar e pronto.

Os religiosos afirmam que o elemento determinante da condição humana é a vontade divina, a submissão dos mandamentos sagrados, as leis espirituais etc. Os evolucionistas juram que o DNA é o senhor dos imperadores, os Marxistas matam e morrem falando que a causa primaria é a estrutura socioeconômica e os Freudianos garantem que o embaraço surgiu na infância, dos eventos de ordem psíquica.

De repente, Rousseau escreveu aquilo porque não conheceu os gatos e os pombos da cidade de São Paulo. Talvez, Sartre fundamentou o existencialismo pela carência de informações sobre o ciclo do Samsara e Nietzsche, por definhar com a sífilis no terceiro estágio. 

*Ismael Tavernaro Filho é colunista do Jornal A Bigorna

 

 

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