• 484 Jornal A Bigorna 17/10/2021 18:40:00

    Palanque do Zé

    A Rainha Elizabeth II governa o Reino Unido, os Reinos da Comunidade de Nações e é chefe da Commonwealth desde 1953. Está no comando há 68 anos, portanto.

    Se permanecer no posto por mais 4 anos, superará Luís XIV de França, que foi a pessoa que mais governou em toda a história. Seu reinado durou 72 anos e 100 dias, de 1643-1717. Um ponto ao seu favor é que ele começou quando tinha apenas 5 anos.

    Particularmente, torço para que a Rainha consiga tal feito, pois além de ser uma excelente Estadista, veremos a história sendo feita diante de nossos olhos. Não é todo dia que vemos um Monarca pedir para que 15 primeiros-ministros formem um governo em seu nome.

    Mas, apesar das piadas e memes afirmando que Elizabeth é imortal, é que já estava aqui quando o Planeta surgiu, conforme sua idade avança, maiores ficam as dúvidas acerca do que acontecerá depois de sua partida.

    E, como era de se esperar, tudo já está previsto... Desde 1960!

    O “Plano London Bridge”, tal como é conhecido o passo a passo a ser seguido com a morte da Monarca, tem muitos pormenores, mas os principais pontos de acordo com o jornal The Guardian, são estes:

    1 – Assim que a rainha morrer, seu secretário particular irá contatar o primeiro-ministro e informar a morte de sua soberana por meio de um código: “A ponte de Londres caiu”. O plano para todo o funeral da Rainha Elizabeth II foi nomeado como “London Bridge”, ou seja, “A ponte de Londres”.

    2 – A informação de sua morte será, num primeiro momento, ultrassecreta. O comunicado será enviado através de uma frequência captável apenas por equipamentos específicos. Os destinatários serão os chefes de Estado envolvidos com os assuntos britânicos, que logo em seguida colocarão uma faixa preta em seu braço direito.

    3 – Logo depois, um comunicado será enviado a todos os veículos de imprensa mais importantes do mundo. Enquanto isso, o site do Palácio de Buckhingam mostrará uma  mensagem de luto.

    4 – Na rádio BBC, um alarme desenvolvido especialmente para momentos críticos à nação (como ataques bélicos) irá soar. O aviso é tão raro que quase nenhum repórter da emissora afirma tê-lo ouvido.

    5 – Em outras emissoras, o comando é diferente. Luzes reservadas para os mesmos propósitos mórbidos irão acender, avisando aos DJs que eles devem mudar a música que estiver tocando para uma playlist específica destinada a momentos de tragédia e, logo que possível, fazer a transmissão para os repórteres. Alguns produtores contam que, se as pessoas começarem a ouvir músicas tristes demais, devem ligar a televisão, pois algo de muito ruim aconteceu.

    6 – Especialistas na realeza britânica já afirmam ter assinado um contrato de exclusividade com várias emissoras de televisão, e entrarão em ação assim que o evento ocorrer.

    7 – Assim que os anúncios oficiais forem feitos, os britânicos serão liberados para voltar para casa mais cedo e os pilotos de avião anunciarão o acontecimento durante todos os voos para fora ou para dentro dos limites do Reino.

    8 – Se a Rainha morrer enquanto estiver em viagem, um caixão de emergência está sempre a postos para ser colocado em um jato e levado ao lugar onde a soberana faleceu. O caixão no qual ela será abrigada deve conter uma tampa falsa, em que entrarão as joias da coroa.

    9 – Não importando onde esteja, o corpo da Rainha será encaminhado para a Sala do Trono, no Palácio de Buckinham. Lá, ela ficará sob um altar junto a uma mortalha. Também estará a postos o estandarte real e quatro Guardas Reais.

    10 – Quem assumirá o comando das organizações do funeral será o 18º Duque de Norfolk. Os duques desse condado são tradicionalmente os encarregados de cuidar dos preparos funerários reais  desde 1672.

    11 – Quaisquer partidas de cricket, rugby e hockey serão canceladas. Corridas de cavalo também. O futebol não. Já o National Theatre só interrompe sua programção se o falecimento ocorrer antes das 16h. Se a morte ocorrer após esse horário, o show deve literalmente continuar.

    12 – Famílias europeias convidadas para o funeral ficarão no Palácio de Buckinghan. O resto dos convidados serão abrigados no hotel Claridge.

    13 – No dia seguinte à morte, às 11 horas da manhã, Charles será declarado Rei, onde passará por uma série de rituais de encontro com seus novos súditos.

    14 – O funeral da Rainha acontecerá nove dias após sua morte. Até lá, padres irão ensaiar as cerimônias necessárias, a guarda real irá memorizar os movimentos corretos e o Westminster Hall, no Palácio de Westminster, onde ocorrerá a vigília, será fechado e limpo. As velas utilizadas na Abadia serão transferidas para lá.

    15 – As dez pessoas que carregarão o caixão real serão escolhidas e começarão a treinar para realizar o feito, já que a realeza é enterrada apenas em caixões revestidos de chumbo. O da princesa Diana, por exemplo, pesava aproximadamente 250 quilos.

    16 – O Palácio espera que meio milhão de pessoas se despeçam da Rainha. A cada 20 minutos um grupo diferente de soldados ficará responsável por vigiar o caixão da Rainha, em um total de 23 horas. O Guarda mais novo fica perto da cabeça, o mais velho, nos pés.

    17 -  Outra procissão acompanhará a mudança do caixão para a Abadia de Westminster. A Rainha será a primeira monarca britânica a ter seu funeral lá desde 1760. Quando o caixão adentrar no portal da Catedral, às 11 horas, o país ficará em completo silêncio: estações de trem interromperão seus anúncios e motoristas de ônibus encostarão seus veículos e sairão deles em sinal de respeito.

    19 – Os 2 mil convidados ficarão dentro da Igreja e as câmeras de televisão ficarão escondidas em simulacros de paredes de tijolos.

    20 – Ao final da cerimônia, o caixão será levado para o claustro, onde será içado para baixo até o Jazigo Real. Quando as portas da Capela se fecharem, as transmissões de TV serão interrompidas. E lá dentro, o então Rei Charles I irá jogar um punhado de terra vermelha que estará dentro de uma tigela de prata em cima do caixão.

    Após tais atos, o Rei Charles mudará a Libra Esterlina, que é o dinheiro dos britânicos, para fazer constar a sua imagem.

    Mudará também, o Hino Nacional, que deixará de ser o “God Save The Queen” (Deus Salve a Rainha) para tornar-se o “God Save The King” (Deus Salve o Rei).

    Com tanto por se fazer, não dá tempo sequer de o Monarca chorar a perda de seu ente querido. Essa, aliás, foi uma das reclamações feitas por Elizabeth quando da morte de seu pai, o Rei George VI.

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