O epidemiologista Richard Wilkinson, da Universidade de York, no Reino Unido, virou manchete de jornais quando lançou O nível – Por que uma sociedade mais igualitária é melhor para todos (The spirit level), em 2009, escrito em parceria com a colega Kate Pickett.
Na obra, os dois argumentam que há uma relação direta entre desigualdade social e indicadores de saúde ruins numa sociedade. E que os países desenvolvidos, em sua maioria, embora tenham enriquecido ao longo dos anos 1980 e 1990, não foram capazes de melhorar seus indicadores de saúde nas mesmas proporções – porque se tornaram mais desiguais.
O Brasil corre o risco de entrar numa fase de aumento da desigualdade agora, por causa da crise econômica e do desemprego.
O livro, baseado em pesquisas robustas conduzidas pelos dois, rendeu-lhes opositores e admiradores. Em fevereiro, Wilkinson e Kate voltaram à carga: em um artigo no periódico científico BMJ, criticaram as medidas de austeridade adotadas por diversos países desde 2008, quando eclodiu a crise financeira global (o Brasil seguiu outro rumo, de aumento de gastos, até 2014).
Segundo os pesquisadores, as medidas de austeridade escolhidas nos países ricos vitimaram a saúde dos mais pobres. “Nos Estados Unidos, aumentaram as taxas de mortalidade das pessoas de meia-idade, sobretudo na população branca e pobre”, disse Wilkinson a ÉPOCA. Segundo ele, para melhorar a saúde de seus cidadãos, os governos devem se concentrar em tornar suas sociedades mais igualitárias.













