22 de abril: Brasil: 526 anos: Descobrimento X Invasão
Por Guilherme de Andrades
O termo “descobrir” é alvo de questionamentos, pois representa a chegada europeia no território brasileiro, visão eurocêntrica, como se não houvesse uma população nativa consolidada nas terras, os indígenas, para os quais o processo significou uma grande invasão de 1500. Visto que posteriormente, em 1532 foi instaurada a Colonização, gerando efeitos presentes ainda nos dias atuais, como algumas arquiteturas coloniais; a concentração da terra nas mãos de uma elite agrária; a pauta indígena de luta por terras; costumes e hábitos alimentares; miscigenação, etc.
O panorama apresentado enquadra-se no quadro das Grandes Navegações lusas, a partir da chegada da esquadra marítima de Pedro Álvares Cabral, em 22 de abril, nas terras brasileiras, devido a um “erro” de navegação para afastar-se dos fortes ventos, ou ainda se foi algo planejado. O objetivo crucial e formal, sob ordens do rei de Portugal, D.Manuel, o venturoso, era a chegada às Índias, terras dos temperos e enfoque do comércio mundializado na época.
A região brasileira inicialmente, por razões como clima, solo, fauna e flora desconhecidos, a presença indígena, considerada hostil e por não possuir ouro e metais preciosos, foi alvo de desinteresse pela Coroa Lusa. Implantou-se a exploração do Pau-Brasil e expedições de reconhecimento, até 1530, predominando a escravização dos nativos e a prática do escambo, explorando intensamente o ambiente natural sem qualquer tipo de recomposição. A elite de Portugal beneficiou-se com os lucros da venda da madeira.
A Colonização foi efetivada com o povoamento de brancos, para assegurar a posse colonial do Brasil e defender as fronteiras contra a marinha francesa, britânica e holandesa, numa época em que o Oriente entrava em decadência. Erigiu-se fortificações e fundou-se a primeira igreja.
Fonte escrita:
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Carta de Pero Vaz da Caminha. Uma visão cristã da população indígena, como se o Brasil nativo fosse algo como um paraíso endêmico. O etnocentrismo como princípio definidor. A fonte apresenta as intenções do colonizador: plantio e catequização, como demonstrado no seguinte trecho: “Em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem. Porém o melhor fruto, que nela se pode fazer, me parece que será salvar esta gente”. Ademais apresenta elogios: “mui chã e mui formosa, em nela se plantando, tudo dá”.
Heranças alimentares do Colonial no atual: milho; feijoada; mandioca; carne seca; banana e bananada de melado; frutos do mar; moqueca; tutu de feijão e doces de compota.
Deve ser entendido a função da fonte histórica: desmistificar e abordar o real sobre a chegada europeia no Brasil, em 1500, apontando a narrativa construída pelo lado dos vencedores, ou seja, a versão do colonizador e a dos perdedores, o colonizado, desassociando a historicidade brasileira de um recorte da História de Portugal.
Refletindo, o uso de fontes diversas é uma demanda essencial em História, visto que possibilita interpretações diversas sobre um mesmo fato, ultrapassando o tradicional enviesado. O teórico em junção com fontes diversas.
Sobre Guilherme de Andrades:
Professor/Historiador, especialista em História e Geografia do Brasil, bem como em Metodologias do Ensino. Possui certificação USP sobre Geopolítica Contemporânea.













