Crônica
SÓ ESTOU DANDO UM TOQUE
José Carlos Santos Peres
O leitor está sabendo que todo mês é mês do lacinho azul? Então deixe de ser cuzão e procure um urologista levando, na obviedade intrínseca, o dito cujo.
Constrangimento, meus amigos, é perder anel para preservar dedo, já dizia o epicurista rabiscando na pele de um pergaminho o seu chiste preferido: “pimenta no dos outros é refresco”.
Sabemos – ora, pois - o quanto é complicado na primeira vez: você fica se perguntando o que são aquelas estrelinhas piscando na retina enquanto sua dignidade é revirada pelo avesso.
Segundos que parecem uma eternidade:
- O que temos aqui? Vejamos! Uh, entorno preservado, tamanho definido; escorregadia que só... Ops! Pesquei.
- Tudo dentro, doutor?
- Ah? Agora não, né?! Já era...
- Quero dizer nos conformes?
- Sim! Sim! Nos conformes.
Na segunda vez – creio eu - a única coisa que você perguntaria, na intimidade que a relação médico paciente proporciona com o tempo, seria:
- De pé ou de ladinho?
Mas, atenção, se o médico sugerir “frango assado” considere a possibilidade de meter-lhe uma bala na testa.
No mais, sondar a sala de espera para evitar aqueles amigos quinta-série que – embora estejam na mesma situação – não dispensam comentários maliciosos, sabendo que ninguém visita um urologista para saber como anda o pulmão.
- E aí compadre, fazendo o que aqui?
- Visitando tua mãe...
É isso: o toque que este cronista pode dar aos amigos é para ir fundo... Melhor dizendo, permitir que se vá.
Como diria a dona Marta, em sendo inevitável, relaxa... No que eu acrescentaria: mas não goze, pelo amor de Deus.













