Um dos aspectos mais miseráveis da cultura contemporânea no Brasil — e não só aqui — é o estado da educação. Podemos resumir a educação como uma salada insossa que mistura porções de psicodiagnósticos dos alunos. A saúde mental hoje é assunto para empreendedores, modas motivacionais, intensas doses de marketing, alta influência do fetiche da tecnologia, obsessão por falar de gênero e derivados, e um medo desgraçado dos concorrentes.
Se falarmos da educação pública, podemos jogar quase tudo fora do dito até aqui e manter a obsessão por temas de gênero, aspectos ideológicos à esquerda, professores zumbis e o resto são montões de lixo e violência no bairro. Sei, você não gostou. Sinto muito, o problema é seu. Você perguntou onde fica o ideal e a formação dos mais jovens? Resposta direta: morre com anos de baixo salário, baixa autoestima, irrelevância social e as primeiras rugas faciais.
Mais do que nunca, um enxame de idiotas, transformando em viés cognitivo, tapa nossos olhos. Conhecer a realidade a partir das causas, como dizia Aristóteles, nunca foi nossa vocação. Aristóteles estava errado ao crer que era nossa vocação: é a fantasia, porque a realidade é insuportável.
Numa frase: a consciência bruta de nossa condição ontológica, o desamparo de que falei anteriormente, é insuportável para nossa estrutura psicológica. A ordem é se divertir, como dizia o filósofo Pascal no século XVII, e jamais escorregar para o abismo da angústia.
A pergunta é: o que essa catástrofe da cultura causa à educação? De forma sintética, diríamos que a educação se transforma numa usina de reprodução de idiotas com formação profissional para o mercado. Portanto, para pensarmos na relação entre cultura contemporânea e educação, devemos nos concentrar em como se reproduz a personalidade estúpida em nossa época.
Qual o seu perfil? E no que devemos investir para chegarmos à nossa meta? Gerar cada vez mais idiotas para o voto soberano. Gozemos com as campanhas de marketing, com as parcerias com os pais — o bicho mais perdido da face da Terra em nossa época —, com a formação para soft skills, com o ensino para a diversidade... enfim, qualquer coisa que garanta a paralisia da angústia que caracteriza a atividade de pensamento livre.
Hoje, mais do que nunca, diria que o traço existencial do pensamento livre é o pensamento que não trabalha pela justiça, nem pelo sucesso, muito menos pela felicidade. Qual é o futuro para a mudança desse quadro? Nenhum, absolutamente. Mudanças de impacto social e psicológico ocorrem quando ocorrem mudanças de modo material de uma sociedade produzir seus meios de sobrevivência e a organização institucional. Nada indica que isso ocorrerá num futuro próximo. Portanto, devemos esperar mais do mesmo em termos da falácia da educação, e mais idiotas no horizonte que não sabem da sua condição.
*Por Luiz Felipe Pondé













