Por Assis Chateaubriand –Pouco mais de 38 anos atrás morria Ernesto “Che” Guevara, mais precisamente em La Higuera, 9 de outubro de 1967 – na Bolívia, onde tentava libertar um povo oprimido pela ditadura. Na mata, ao perder uma das botas, e com o exército boliviano encurralando-os, Che foi capturado, e deixado numa cabana, onde o presidente da Bolívia esperava às ordens dos Estados Unidos para saber o que fazer com um dos maiores guerrilheiros desta época.
Não foi à toa que com poucos homens, o médico argentino percorreu diversos países, e ao se encontrar e conhecer Fidel Castro, resolveu encampar uma luta quase perdida contra o ditador e servidor americano Fulgêncio Batista.
Contudo, não escrevo estas parcas linhas para biografar um dos maiores estrategistas e visionários de todos os tempos. Ernesto Guevara de la Serna, “Che” – fez o que milhões de nós nunca teríamos a coragem de fazer: lutar por um ideal. Seu ideal era um povo livre, sem ditadura e livre das interferências americanas. Era um inimigo mortal dos americanos.
Che esteve oficialmente no Brasil em agosto de 1961, quando foi condecorado pelo então presidente, Jânio Quadros, com a Grã Cruz da ordem Nacional do Cruzeiro do Sul.[12] A outorga dessa condecoração foi o desfecho de uma articulação diplomática, iniciada pelo Núncio apostólico no Brasil, monsenhor Armando Lombardi, seguindo as instruções da Santa Sé, solicitando a ajuda do governo do Brasil para fazer cessar a perseguição movida contra a Igreja Católica em Cuba. Jânio Quadros solicitou a mediação de Che junto a Fidel. Guevara atendeu ao pedido de Jânio e concordou em ser o intermediário do apelo do Vaticano junto ao governo cubano.
Um homem fora de seu tempo, Che hoje é um símbolo mundial de luta contra atrocidades. Um homem sem fim, que morreu doando sua vida àqueles que mais precisavam. Ele foi executado a mando dos EUA com um tiro, que tirou do mundo um homem que, se vivo, seria uma das maiores personalidades vivas, mas, mesmo morto, carrega consigo a áurea de um herói.
"Não é possível destruir uma opinião com a força, porque isso bloqueia todo o desenvolvimento livre da inteligência."(Che Guevara)
Chatô – é escritor.













