A delação apresentada pelos empresários Mohamad Hussein Mourad, o Primo, e Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, mostra como funcionava um esquema de corrupção na Secretaria da Fazenda da Bahia. A informação é do site UOL.
A delação foi aceita pelo Judiciário baiano, levando à deflagração de uma operação que determinou a prisão do fiscal Olavo Oliva, ex-coordenador de combustíveis da Sefaz, e do empresário Cyro Valentini. A defesa de Valentini diz que ele está à disposição das autoridades para esclarecimentos e afirma crer na comprovação de sua inocência.
Segundo a dupla, que firmou colaboração conjunta, Jailson propôs a parceria para importar combustível por meio de uma fraude tributária, já garantindo que tinha caminhos para pagar propina a Oliva.
Era a expansão de uma prática que Beto Louco e Primo já tinham em São Paulo, onde controlavam a Aster e Copape.
O esquema funcionava por meio da importação de gasolina quase pronta como se fosse nafta, que paga muito menos imposto. A nafta verdadeira precisa ser refinada para se transformar em combustível
Para isso, foi preciso fazer uma parceria com Valentini, empresário da refinaria Dax Oil, em Camaçari (BA), que fraudaria, segundo a delação, a importação de combustíveis, fornecendo os insumos ao grupo.
Depois, eles eram levados a uma "batedeira", uma formuladora de combustíveis no interior da Bahia, e distribuídos aos postos da Lubrijau
Firmada a parceria com Valentini, Primo e Beto Louco compraram 67% dos estabelecimentos da Lubrijau e começaram a atuar
Os pagamentos de propina a Oliva eram feitos através de um contador e chegavam a R$ 100 mil por mês, segundo os delatores. Além disso, eles indicaram pagamentos individuais para atuar em processos específicos na Sefaz.
Em janeiro de 2024, Jailson avisa a Mohamad que "a Sefaz descobriu as notas da distribuidora de São Paulo". "Aiaiaiiaiaiaiaiai. Mais por isso q pagamos né. Kkkk", diz Primo.
"Agora é hora do show", complementou.
Em maio de 2024, o grupo pagou R$ 500 mil para Oliva apressar o processo que incluiria a Dax Oil como beneficiária de regime especial de tributação na Bahia, dizem os delatores.
Por volta do mesmo período, segundo a delação, Valentini rompeu com Beto Louco e Mohamad após a descoberta de que o empresário teria se apropriado de R$ 34 milhões pagos por eles à Dax Oil, que deveriam ter servido para pagar ICMS.
Em 30 de janeiro de 2025, diz a delação, a dupla descobriu que o contador não estava mais oferecendo blindagem com Oliva após receber uma cobrança de R$ 9,9 milhões em tributos e multa por notas emitidas fora da regra.
Jailson assumiu a intermediação e descobriu que, para se livrar da multa, era preciso pagar uma propina de 10%, ou seja, R$ 990 mil, a Olavo.
"Bom dia primo, o valor total dos impostos ficou R$ 9.904.215. Sendo que 10% desse valor fica R$ 990.421,50. A sua parte fica R$ 663.582,40 dividido em 5x = 132.716,48 cada parcela", escreveu em mensagem para Primo.
Outras mensagens abordavam diretamente os esquemas ilícitos. Em 5 de fevereiro de 2025, Jailson enviou para Primo uma notícia de um blog da Bahia: "Estaremos em toda a Bahia contra fraudes e sonegação, diz coordenador da Sefaz-BA".
O coordenador era Olavo. Mohamad responde: "Ainda bem q é amigo kkkkk".
No MP-SP, segundo fontes ouvidas pelo UOL, promotores queriam que a dupla fornecesse informações sobre o PCC. Os dois negam integrar a organização criminosa, porém.
Na PGR, as informações fornecidas sobre políticos com foro foram consideradas insuficientes pelos procuradores para dar andamento à colaboração.
No MP-BA, porém, a negociação durou seis meses e teve poucos atritos. O material deve levar a outras frentes de investigação além da Operação Khalas.













