Durante muito tepo, acreditou-se que pessoas autistas sentiam menos dor. Hoje, estudos internacionais mostram o contrário: muitas pessoas no espectro podem apresentar maior sensibilidade à dor, semelhante ao que ocorre na fibromialgia.
A fibromialgia é caracterizada por dor crônica generalizada e por um fenômeno chamado sensibilização central, no qual o sistema nervoso interpreta estímulos comuns como mais intensos ou dolorosos. Pesquisas recentes indicam que algo parecido pode acontecer em pessoas autistas, especialmente naquelas com hipersensibilidade sensorial.
Estudos publicados em revistas internacionais mostram que até 70% das pessoas autistas relatam alterações no processamento sensorial, incluindo sensibilidade aumentada ao toque e à dor. Além disso, pesquisas apontam que indivíduos autistas podem apresentar maior prevalência de dor crônica, dores musculares, dores de cabeça e fadiga — sintomas frequentemente observados na fibromialgia.
Essa semelhança ocorre porque, em ambos os casos, o sistema nervoso pode permanecer em estado de alerta constante. Isso faz com que estímulos simples, como barulho, toque, luz ou tensão emocional, sejam percebidos como desconfortáveis ou dolorosos.
Outro fator importante é o cansaço físico e mental. Tanto pessoas autistas quanto pessoas com fibromialgia podem apresentar fadiga intensa, dificuldade de concentração e sensação de sobrecarga corporal. Esse quadro não é apenas emocional — envolve o funcionamento neurológico e sensorial do organismo.
O que a ciência tem observado
Pesquisas internacionais sugerem que:
-Pessoas autistas podem apresentar maior sensibilidade à dor
-A dor pode ser real e intensa, mesmo sem lesão aparente
-O sistema nervoso pode amplificar estímulos sensoriais
-Fadiga e estresse aumentam a percepção da dor
Isso não significa que todas as pessoas autistas terão dor como na fibromialgia, mas indica que existe uma semelhança no modo como o cérebro processa os estímulos dolorosos.
Sobre a colunista:
Marcela Fernanda de Andrade é pós-graduada em Neurociência, TEA, Educação Especial e Inclusiva, com capacitações em AUTISMO pela Universidade de Harvard, The American Academy of Pediatrics (AAP) e PANAACEA Argentina. É Autista, mãe atípica, estudante de Fonoaudiologia e mestranda em Distúrbios da Fala, Linguagem e Comunicação Humana.
Instagram: @neurofono_marcelaandrade
Atenção: Esta é uma coluna informativa. Em caso de dúvidas específicas, procure sempre um profissional qualificado.













