Por: Carlos “Cam” Dantas
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Diga não à captação d’água da Represa. “Quem sabe faz a hora não espera acontecer”
Bem assim. Assim mesmo! Como já dizia Geraldo Vandré nas entrelinhas da letra da música “PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DAS FLORES” no terceiro Festival Internacional da Canção, de 1968, “às vezes reivindicação e mobilização são necessárias quando o caldo entorna”, sendo que aqui, guardadas as devidas proporções, a frase reflete uma situação atual, 47 anos após. Vou desenhar! Tive a oportunidade de ler recentemente no G1 que a gestão Geraldo Alckmin (PSDB) estuda captar água de rios a mais de 200 km de distância da capital paulista para abastecer a Grande São Paulo e a região de Campinas nos casos de futuras crises de falta de água nas metrópoles. Esse foi um dos pontos abordados pelo presidente da Sabesp, Jerson Kelman, no evento “O enfrentamento da crise hídrica”, no Instituto Fernando Henrique Cardoso-SP.
Para Kelman, em casos de falta de água “precisamos ter alguma válvula de segurança”. O executivo citou então o plano da Secretaria de Recursos Hídricos para captar água nos rios do Paranapanema e no vale do Ribeira, no interior paulista, destacando que um projeto como esse poderia aliviar futuras crises hídricas em São Paulo, mesmo que o transporte da água por longas distâncias seja mais caro.
“O plano já constava no Plano Diretor da Macrometrópole, que define obras estruturais de recursos hídricos no Estado até 2035. No caso do rio Paranapanema, o estudo aponta a viabilidade de captar água próximo ao município de Avaré (a 267 km de São Paulo) e abastecer a região de Campinas. Isso poderia diminuir a dependência dessa região do sistema Cantareira, numa eventual crise”, enfatizou Kelman.
Solução cara
A nova proposta de estudo das alternativas para enfrentar a crise hídrica —captar água na Represa Jurumirim, no Rio Paranapanema, a Oeste da Grande São Paulo— foi elogiada pelo diretor da Associação Água para Todos, José Roberto de Oliveira e Silva. “Essa alternativa foi apontada no estudo dos recursos hídricos da macrometrópole. É uma solução cara, mas vai trazer tranquilidade ao abastecimento. E, quanto menos água a Grande São Paulo tirar do Cantareira, mais equilíbrio no abastecimento da região de Campinas existirá.”
Para ele, é uma alternativa interessante porque a represa é uma das poucas que não sofre com poluição e tem água de boa qualidade. O projeto da macrometrópole sugeriu que o transporte da água até São Paulo fosse feito por adutora paralela à Rodovia Castelo Branco e distribuída para as cidades ao longo de 220 quilômetros.
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DÉJÀ VU TUPINIQUIM
E aqui esta reação psicológica se caracteriza. Na coluna A VOZ DA REPRESA de 21/12/2013 com o título “AQUÍFERO GUARANI E REPRESA DE JURUMIRIM PODEM FORNECER ÁGUA PARA ABASTECER SÃO PAULO; baseado ainda em matéria de três anos antes; foi assim destacado:
“Em junho de 2010 a Secretaria Municipal de Meio Ambiente promoveu o V Fórum de Educação Ambiental e Integração Regional de Avaré, dando inicio, inclusive, às comemorações da Semana do Meio Ambiente. A Associação “Defensores da Represa de Jurumirim” foi convidada a participar e como seu representante atuou o destacado professor, escritor e historiador José Leandro Franzolin, um dos fundadores da ADERJ e autor de várias obras sobre a região do Jurumirim. Na oportunidade o eminente palestrante discorrendo sobre a biodiversidade da Represa condenou as várias agressões sofridas em toda a sua orla e destacou, para surpresa de todos, que “agressão maior está por vir”, se referindo ao projeto ambicioso do Governo do Estado de São Paulo “que poderá causar imenso dano ao equilíbrio ambiental”. Trata-se da perfuração – na busca do subsolo profundo, ali na região da Pedra Branca (Município de Itatinga) alcançando o lençol freático conhecido como Aquífero Guarani.
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Tal comentário, com riqueza de detalhes e clareza acusatória, deixou, na ocasião, a platéia apreensiva. Mas muitos duvidaram, taxaram como fantasiosa tamanha denúncia. Só que agora esses críticos devem pedir desculpas ao professor Franzolin, pois a “coisa” está sendo discutida com seriedade (e intensidade) entre a cúpula governamental; membros das Secretarias de Governo, de Estado de Saneamento e Energia, Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo–SABESP, principalmente, e os estudos de viabilidade econômico-ambiental deste projeto concluído pela COBRAPE em que visa abastecer a região metropolitana da capital paulista, hoje indicam que as obras podem começar a qualquer momento, ainda que a previsão inicial tivesse sido para o ano de 2035. O impacto eleitoral (mais que o ambiental) é o que está sendo avaliado criteriosamente antes de ser “posto na mesa” do governador, e só ele (um eventual desgaste político com reflexo nas urnas) é que pode retardar o início da implantação do ambicioso plano. “Ganha dividendos com alguns, perde com muitos”, destacou a “fonte”, deste sim, preocupante problema que, por certo, deverá exigir audiências públicas para uma ampla discussão.
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Entre os “pistolões” da administração Alckmin, é opinião comum que “explorar esse ‘líquido precioso’ em torno de 300 km da Grande São Paulo, em represas do interior do Estado ou no Aquífero Guarani, são soluções consideradas pelo Governo como mais viáveis para evitar que o abastecimento de água entre em colapso. Segundo comentários, uma das idéias, cogitada por mais de 50 anos (desde os anos 60 – Governo Carvalho Pinto) é trazer a água do Vale do Ribeira, onde sua qualidade é melhor e a população é pequena, o que reduz a demanda. Outras alternativas são trazer para a grande São Paulo água das Represas de Barra Bonita (rio Tietê) ou Jurumirim (rio Paranapanema) ou mesmo fazer uso intensivo do Aquífero Guarani.” Exatamente como alertou o mestre Franzolin há alguns anos atrás.













