Foram desembargadoras do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2) que denunciaram à Corregedoria-Geral da Justiça do Trabalho supostas irregularidades cometidas pela colega Adriana de Jesus Pita Colella. Com o alerta, a juíza virou alvo de nova investigação por acumular a magistratura com a graduação de medicina, em tempo integral.
Um procedimento disciplinar anterior, de 2021, havia sido arquivado depois que a maioria do Pleno do TRT-2ª Região considerou não haver irregularidade, "por ausência de vedação legal e por não haver prova de prejuízo à jurisdição". Na época, o Corregedor-Geral da Justiça do Trabalho chegou a encaminhar o procedimento para a Corregedoria Nacional de Justiça do CNJ para possível revisão, mas o órgão decidiu, em 2023, que a apuração havia sido correta. Determinou, porém, o acompanhamento trimestral da produtividade da magistrada.
"A Corregedoria-Geral da Justiça do Trabalho, em cumprimento à determinação da Corregedoria Nacional de Justiça do CNJ, passou a acompanhar, por meio da Corregedoria Regional do TRT-2ª Região, a produtividade da magistrada, não tendo sido constatado, pelo exame dos dados informados pela Corregedoria local, qualquer decréscimo na atuação da magistrada pelo fato de estar cursando a graduação em Medicina no período avaliado", disse a Corregedoria-Geral da Justiça do Trabalho, em nota.
Ocorre que, em outubro deste ano, ainda de acordo com a Corregedoria-Geral da Justiça do Trabalho, desembargadoras do TRT-2 acionaram a Corregedoria Regional e citaram "fatos novos", que indicavam que a acumulação do cargo com o curso "havia, supostamente, trazido prejuízos à atividade jurisdicional, apontando, inclusive, possível incongruência entre os dados estatísticos analisados e a atividade discente".
As novas informações apontaram a possibilidade de cometimento de eventual infração disciplinar pela magistrada "em período subsequente" àquele que fora objeto de exame pela Corregedoria Nacional de Justiça do CNJ, diz a nota. Com isso, a Corregedoria-Geral da Justiça do Trabalho determinou à Corregedoria Regional do TRT-2ª Região que promovesse "a imediata apuração dos fatos noticiados", mas nada foi informado a respeito, até o momento. O procedimento corre sob sigilo.
A nova investigação vem em meio a questionamentos sobre o expediente forense de Adriana no período do internato médico — última etapa, que dura dois anos, antes da formatura em medicina. Adriana atuou entre 2024 e 2025 no ambulatório da Santa Casa de Santos, que exigia no mínimo 90% de presença, em turno das 8h às 17h. O funcionamento presencial do TRT-2 em São Paulo se dá entre 11h30 e 18h. Apesar dos questionamentos, Adriana foi promovida em outubro a juíza titular da Corte.(Do Globo)













