Por André Guazzelli-Estava subindo as escadas de uma Igreja, quando um andarilho me assustou, vindo por detrás e gritando: “Deus é um delírio. Logo após o susto continua a subida. A igreja ficava a metros de altura. Linda e altiva.
Quando chegava à porta, um senhor de terno chegou até mim e sorrindo disse: “O Deus dele existe sim, mais ainda é um delírio”.
Depois de colocar as mãos sobre meus ombros disse-me: “seja bem-vindo”.
Agradeci, fui à frente do altar sentei e, por ali fiquei horas a fio. Chorei, pedi ajuda e reclamei muito. Naquele dia Deus tinha que ouvir todos os meus desabafos. Não acreditava mais muito no Criador, pois afinal, porque estou sofrendo tanto? Questionava sem parar. Não vi a hora passar, e quando dei por mim, já havia perdido os compromissos do dia.
Levantei-me e saiu pelo corredor lateral da enorme igreja. Foi quando notei que aquele senhor que me dera as boas-vindas, ainda estava lá. Sentado me olhou, e sorrindo-me disse: “Deus não te abandonou. Percebes o quanto nos aproximamos Dele quando estamos tristes e magoados? A dor nos traz para perto Dele. Ao contrário, uma vida de alegrias, nos levaria para longe Dele. O ser humano, só recorre a Deus quando tem problemas. Ele nunca compartilha com Deus suas alegrias. ”
Sentei-me ao seu lado e questionei se era por isso que sofremos tanto na vida. O velho homem suspirou, olhou-me e disse: “Todos nós sofremos. Basta saber encarar como devemos sofrer. Aceitar o sofrimento, como um aprendizado, ou simplesmente desistir de vida e ficar se lamentando. Este é um dos segredos da vida meu filho. Seu vício, suas frustrações, são frações de momentos que você é testado para vencer. Poderás até perder algumas vezes, mas tenhas certeza de que Deus estará ao seu lado, nos bons e maus momentos. Quando se sentires triste, chores mesmo e peça a Deus que o ilumine, que, com certeza, numa fração de segundos uma luz te trará esperança e alegria. ”
Depois de me dizer tais palavras, ele se ajoelhou e começou a orar. Saí dali, peguei um táxi e voltei para casa. O dia estava terminado, e pedi a Deus que iluminasse todos os meus colegas e amigos. Fiz um chá, deitei-me e dormi. Sonhei que estava numa igreja ao lado de meu grande amor, que havia me deixado.
De manhã, acordei com a lembrança do sonho e me lembrei do meu grande amor, e, logo após, ouvi uma música, ao longe, que parecia ser de Cássia Eller, que dizia: Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar; Que tudo era pra sempre ...Sem saber que o pra sempre ...Sempre acaba...













