A educação é o pilar de qualquer sociedade que pretenda prosperar. Em Avaré, no entanto, esse pilar parece estar sob o comando de uma gestão que optou pelo isolamento em vez do diálogo, e pelo silêncio burocrático em vez da transparência necessária. O jornal A Bigorna traz a público um questionamento que já ecoa nos corredores das escolas e nas sedes sindicais: a permanência do professor Henrique Riguetto Rodrigues no cargo de Dirigente Regional de Ensino ainda é sustentável?
O cenário desenhado desde maio de 2025 é desolador. De um lado, temos uma crise de empregabilidade sem precedentes na região, com mais de 120 professores mergulhados na incerteza do desemprego, aguardando uma transparência que não vem. Do outro, uma barreira institucional que impede que as denúncias de quem vive o cotidiano escolar — os professores — sequer cheguem à mesa da diretoria.
A Conveniência do silêncio
O que mais estarrece este editorial não é apenas a falta de respostas, mas a seletividade da comunicação. Quando interpelado por este jornal, o dirigente refugia-se atrás de um escudo burocrático, alegando que "somente a SEDUC pode autorizar entrevistas". Contudo, essa mesma "mordaça" parece desaparecer magicamente quando o interesse é aparecer em canais que não fazem os questionamentos difíceis.
Essa postura não é apenas um desrespeito à liberdade de imprensa; é uma afronta ao cidadão e ao servidor público que paga o salário de quem deveria lhes prestar contas. Se o dirigente tem tempo para aparições selecionadas, por que não tem tempo para responder às denúncias de abusos e falhas na gestão que se acumulam em sua mesa?
Uma 'Gestão' sem "Chão de Escola"
A educação não se faz apenas com planilhas e decretos; faz-se com gente. Ao ignorar a APEOESP e recusar-se a ouvir a categoria, Henrique Riguetto rompe o elo fundamental entre a administração e o ensino. O resultado é o que vemos: um grau de insatisfação que atingiu o limite, com pedidos formais de remoção do cargo e uma sensação de abandono por parte dos docentes.
Um dirigente que se torna uma "barreira" em vez de uma "ponte" perde sua função primordial. Avaré e região não podem ser reféns de uma gestão tecnocrata que parece mais preocupada em se proteger do que em resolver a situação de profissionais que hoje não sabem como colocar comida na mesa.
O Momento da Decisão
A pergunta que dá título a este editorial não é feita de forma leviana. Ela nasce do acúmulo de silêncios, da falta de resolutividade e do clamor de centenas de educadores. O espaço deste jornal continua aberto para o contraditório, mas a paciência da comunidade escolar esgotou.
Se a liderança atual não consegue — ou não quer — dialogar com a base e com a imprensa de forma equânime, talvez seja o momento de a SEDUC avaliar se Avaré não merece alguém que entenda que transparência não é um favor, mas uma obrigação do cargo.
Além de o deputado Major Mecca levar tal situação ao governdor Tarcísio de Freitas.













