O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) foi alvo de uma ofensiva em três frentes na Câmara dos Deputados, em claro sinal de que seu mandato está sob ameaça. Além disso, assistiu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fazer uma sinalização simpática a Lula (PT) durante discurso na Assembleia Geral da ONU.
No dia anterior, o filho de Bolsonaro já havia sido denunciado pela PGR (Procuradoria-Geral da República) sob a acusação de, a partir dos EUA, patrocinar uma tentativa de coagir a Justiça brasileira.
A terça-feira começou com a notícia, antecipada pela coluna Mônica Bergamo, de que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), havia negado a indicação feita pelo PL para que Eduardo virasse líder da minoria na Casa, uma manobra do partido para tentar evitar a perda do mandato do parlamentar por faltas.
Eduardo está desde o primeiro trimestre nos EUA, de onde patrocina uma campanha junto ao governo local para tentar forçar autoridades brasileiras a barrar processos contra o pai.
A decisão de Motta foi lida nos bastidores da Câmara como um aceno à ala do STF (Supremo Tribunal Federal) ligada a Alexandre de Moraes e está inserido no contexto do acordo firmado entre o centrão e esses ministros para emplacar uma redução de penas dos condenados pelos atos golpistas e, com isso, rejeitar a proposta bolsonarista de ampla anistia a todos.
Deputados do PL afirmaram que Motta havia sinalizado concordar com a indicação de Eduardo para a liderança, mas recuou por pressão de Moraes.
A Constituição estabelece que perderá o mandato o deputado ou o senador que faltar de forma injustificada a um terço das sessões ordinárias do ano.
Horas depois de vir à tona a decisão do presidente da Câmara, o Conselho de Ética da Casa instaurou processo de cassação do mandato do parlamentar por ataques ao STF e ameaças à realização das eleições em 2026.
O relator do processo será escolhido pelo presidente do conselho, Fabio Schiochet (União Brasil-SC), a partir de uma lista tríplice sorteada: Duda Salabert (PDT-MG), Paulo Lemos (PSOL-AP) e Delegado Marcelo Freitas (União Brasil-MG).(Da Folha de SP)













