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Em entrevista Toninho da Lorsa diz que critério sempre foi o bem de Avaré, e não político

Por Jornal A Bigorna 18/12/2018 14:10:00 3340
Em entrevista Toninho da Lorsa diz que critério sempre foi o bem de Avaré, e não político

Toninho da Lorsa

Completando o final de sua legislatura como presidente da Câmara de Avaré, Toninho da Lorsa diz que esse foi um período de “profundo aprendizado”, principalmente sobre a forma de “fazer política”.

Vereador de primeiro mandato, e logo no primeiro ano assumindo a principal função do Legislativo, diz que gerir os destinos da Casa de Leis foi uma tarefa “mais árdua do que imaginava” e “mais difícil do previa”. Segundo ele, suas metas e compromissos foram “integralmente cumpridos”, e que deseja boa sorte a Barreto do Mercado, seu sucessor. “Experiente, sério e bastante compromissado com os ideais de defender a cidade e seu povo. Ele possui muitos méritos e teve o apoio do mesmo grupo que me elegeu, e por uma questão de compromisso, foi eleito para o próximo biênio”, argumenta. A matéria é do jornal a Comarca.

A Comarca: Qual o balanço que você faz de sua gestão?

Toninho da Lorsa: “Na verdade ainda não parei pra pensar, o trabalho na Câmara é muito dinâmico, então todo o dia a gente está cuidando de algo, verificando leis, questionando. Em termos de números, logo a gente vai informar a imprensa. Mas pessoalmente faço um balanço de que quase todos os compromissos assumidos por mim estão sendo cumpridos. Inclusive no que se refere à relação entre os vereadores e com a Prefeitura”.

AC: Quais foram os compromissos com os vereadores?

TL: “Como presidente, o primeiro compromisso óbvio é cumprir a lei. E essa foi uma preocupação permanente. Em seguida de dar todo o espaço democrático aos vereadores, sejam eles da base do prefeito, sejam da oposição, para que eles pudessem desenvolver suas atividades parlamentares. Finalmente, equacionar as despesas e reduzir os gastos da Câmara”.

AC: Mas houve questionamentos quanto a algumas decisões, algumas resoluções.

TL. “Questionamentos são normais, a gente lida bem com as críticas, mas o que acho estranho é ver certas denúncias assinadas por pessoas que têm óbvias ligações com aqueles que nos criticam. Esse é um lado da política que eu repudio. No meu caso, com relação à Prefeitura, tudo é feito às claras, a gente vai pra tribuna, faz o alerta e pede pro prefeito retificar uma lei, um projeto. O duro é quando a gente é atacado assim, com denúncia no Ministério Público, com ataque na imprensa, tirando o foco da questão”.

AC: Mas o que a Câmara faz quando há questionamentos relativos a situações supostamente ilegais?

TL: “No que se refere a eventuais situações questionadas, quando detectada a falha, imediatamente é corrigida. Não tenho compromisso com o erro. Mas lamento quando um detalhe, ou algo que não teria tanta relevância, vira motivo para que a Câmara seja atacada. Veja o caso da resolução que redefinia alguns cargos. Houve apontamento e a cancelamos. Não teve prejuízo pro município. Mas em outras gestões teve o mesmo tipo de resolução e não houve questionamento, entende? Por isso que eu digo que tem fundo político. No final, isso gerou o cancelamento do concurso público, que era necessário para suprir o nosso corpo de funcionários”.

AC: Como situações como essa repercutem junto a você?

TL: “Eu vejo um desequilíbrio. Existe um grupo articulado que age pra colocar uma lente de aumento sobre os atos da Câmara, mas que ao mesmo tempo tolera ou ignora situações da Prefeitura com a qual não concordamos e contra a qual estamos lutando. Tem a questão de assédio contra servidores, abuso de poder, que tem uma CP aberta, tem os gastos da Emapa, o atraso salarial dos servidores e a falta de reajuste salarial...tem obras irregulares, obras paradas, e tantas outras coisas...e no final o foco é na Câmara. Avaré tem problemas muito maiores, que nós vereadores estamos discutindo, e não vemos essa ênfase toda lá fora. Nosso critério sempre foi o bem de Avaré, e não político. Eu dôo integralmente meus vencimentos de vereador para a Colônia Espírita Fraternidade e para a Apae. São mais de R$ 160 mil em dois anos, mas o que a gente ouve são críticas. Economizamos dinheiro da Câmara, com austeridade e seriedade. Deixamos tudo organizado para o concurso público, que o próximo presidente poderá fazer. Mas tudo bem, se faz parte da política, temos que conviver. Esse é um lado da política que faz mal pra cidade, pois muitas vezes eu vejo ataques que visam somente prejudicar a Câmara, quando na verdade existem questões mais importantes a serem discutidas”.

AC: Nesse aspecto, então, o balanço é negativo?

TL: “Tivemos muito trabalho, e gostaríamos de ter uma relação mais positiva com a Prefeitura, mas em várias oportunidades fomos atacados não só pelo próprio prefeito, mas por secretários sob o seu comando. Mas sempre defendi a identidade própria da Câmara em favor da população Ele pode argumentar que de nossa parte também existem críticas, e ele não está errado, mas é nossa função cobrar o Executivo, fiscalizar... recentemente ele (o prefeito) se negou a cumprimentar um vereador, olha só a que ponto chegou. E nas várias em que foi convidado para falar sobre projetos e leis, ele não aceitou dialogar...só veio recentemente (na Câmara) por causa da CP, e foi bem tratado, respeitado. Por isso eu digo que essa disposição para o conflito gera situações desnecessárias...”

AC: Mas e como a Câmara respondeu a essa postura?

TL: “Da forma mais democrática possível. Na Tribuna. Sem represálias. Não aceitamos nenhum tipo de ataque sem dar resposta. Por outro lado, todos os projetos do Executivo tiveram seu trâmite normal, tudo seguiu à risca o regimento. Não fui um presidente que atrapalhou a Prefeitura, muito pelo contrário. Os trâmites, muitas vezes, foram até com mais urgência, quando solicitado”.

AC: Você acredita que essa situação foi negativa para a Câmara?

TL: “Não vejo pelo lado negativo ou positivo. Mas posso dizer que o prefeito, infelizmente, respondeu criando falsas afirmativas, dizendo que a gente era contra a Emapa, por exemplo, sendo que nosso questionamento era com relação à data, e nos posicionamos junto ao comércio da cidade. Neste ano não houve questionamento, e mesmo assim ele continuou com essa falsa afirmação. E a festa custou supostamente R$ 2,5 milhões pra Prefeitura, com a cidade cheia de problemas...não dá pra elogiar, concorda?”.

AC: Com relação à eleição do Barreto, você acredita ter sido a melhor escolha?

TL: “Faço parte de um grupo e nesse caso não me cabe fazer juízo de valor. O próximo presidente iria sair desse grupo, com a qual tenho compromisso. Isso está além do meu partido. Pessoalmente, só tenho elogios a fazer ao Barreto, mas na Câmara não estou vendo partido. O que me cabe é defender o legado do PSDB, se em algum momento há crítica, vou lá e defendo. Na eleição foi assim, apoiei candidatos do PSDB, fiquei firme com o Doria, eleito governador, e esperamos ter espaço com ele pra defender os interesses da cidade. Mas como membro da Câmara, defendi meu mandato e como membro de um grupo, votei no candidato desse grupo. E o PSDB continua representado na Câmara, estamos eu e a Marialva (Biazon), e mesmo que existam críticas, eu considero sem fundamento, pois se teve alguém que sempre defendeu o PSDB fomos nós. O que não poderia acontecer era ver o grupo (da Câmara) perder o seu protagonismo. Nesse ponto eu estou tranquilo e sinto que, nesses últimos dois anos, fiz o melhor de mim em favor da população”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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