Ao mesmo tempo em que prende mais, o Brasil também tem mantido detidas mais pessoas sem acesso à Justiça.
Hoje, quatro em cada dez presos no país são provisórios, ou seja, ainda não foram julgados. Em sete anos, esse contingente cresceu 113%.
No mesmo período (2005-2012), a população prisional cresceu 74%. Os dados são do "Mapa do Encarceramento", pesquisa divulgada nesta quarta (3) pelo governo federal, em parceria com o Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento).
A pesquisa mostra que 38% dos presos no Brasil estão sob custódia do Estado enquanto aguardam julgamento. Quinze Estados apresentam diferença ainda maior em relação à média nacional: no Piauí, por exemplo, cerca de sete a cada dez presos ainda não foram julgados.
"Isso significa que as políticas de encarceramento não encontram correspondência na própria Justiça", diz a socióloga Jacqueline Sinhoretto, autora do estudo.
O estudo aponta ainda que, entre os condenados no país, 18,7% fazem parte do grupo para os quais o Código Penal prevê penas alternativas --ou seja, não precisariam estar presos.
CRESCIMENTO
No período pesquisado, a população carcerária saltou de 296.919 pessoas para 515.482. Um aumento que, na visão do governo, foi puxado principalmente pela prisão de jovens, negros e mulheres.
Neste período, houve um aumento de 146% no número de mulheres presas, contra 70% entre homens.
Apesar disso, homens, negros e jovens de 18 a 29 anos ainda são maioria entre os presos no país.
Em 2012, por exemplo, foram presos (1,5 vez) mais negros do que brancos.
"É um dado preocupante. O jovem negro tem sido mais vítima desse sistema", afirma o secretário nacional da Juventude, Gabriel Medina.
Crimes como roubos, furtos e drogas motivam 70% das prisões no país. Já crimes contra a vida, como homicídios, respondem por 12%.(Fonte:F.S.Paulo)













