Para chegar aos valores, os técnicos da Seade utilizaram uma metodologia criada em 2006 por outro órgão, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Naquele ano, o Ipea pegou dados nacionais sobre acidentes de trânsito, divulgados pelo governo federal, e fez uma pesquisa de campo para calcular os custos.
“Eles entraram em contato com essas pessoas e levantaram a história depois do acidente: quanto tempo tinham ficado hospitalizadas e os valores disso. Com base nos custos médios dessa amostra, que foram qualificados por tipo de veículo, aplicaram para o total de casos”, explica o chefe da divisão de produtos da Seade, Carlos França. “O que fizemos foi pegar aqueles custos médios por componentes, atualizar monetariamente e aplicar hoje nos totais de acidentes”, acrescenta.
Composição
Do total dos custos dos acidentes rodoviários, R$ 2,7 bilhões são referentes a gastos com pessoas. “A metodologia considera também os anos perdidos com os óbitos”, explica França. É o quanto a pessoa que morreu deixou de gerar de renda para a família, usando a comparação com a expectativa de vida. “Esse custo é o maior componente, associado aos custos de saúde, como o tratamento, a internação, os custos de remoção”, conta. Há ainda a perda em automóveis e em reparos que, eventualmente, as rodovias precisaram passar após os incidentes, que também superam os R$ 2 bilhões. O restante é de gastos diversos.
No total, 28,8% das mortes nas estradas são ocorrências que têm a motocicleta como meio de transporte. Nos dados gerais, que incluem os acidentes ocorridos nas cidades, esse porcentual é ainda maior, de 35%. No ano passado, 1.737 motociclistas morreram em acidentes em São Paulo.
Insegurança
O professor de Engenharia de Tráfego Creso de Franco Peixoto, da Fundação Educacional Inaciana (FEI), afirma que uma das principais questões relacionadas às mortes nas estradas é a grande taxa de motorização do Estado. “Há 1 carro para cada 3 habitantes”, afirma. Para ele, como há falta de opções de transporte por meios como ferrovias e pouco uso do transporte público, o volume de tráfego nas rodovias por pessoas em transporte individual favorece os acidentes.
Peixoto também alerta para o que chama de “rodovias obsoletas”. São estradas que fazem a ligação para o litoral e, nos trechos de serra, os níveis de inclinação estão acima daqueles estabelecidos por norma, que é de 6%. “Existem rodovias em que a inclinação é de 21%.”(DoEstado)













