A frenética vida em que o ‘homem’, hoje, está envolvido, no plano real, com trabalho, casa, problemas particulares e sociais, estão levando-o, a uma idiossincrasia social sem retorno.
A vida de hoje é mais supérflua, muito mais abstrata do que concreta, e, através disto, com tanta tecnologia e a progressão social, o homem se tornou um número no calendário social. Vive 365 dias enrte trabalho e outras atividades, mas se esquece de viver.
O que quero dizer com viver, é muito, simples. O homem abriu mão de ser feliz enquanto ‘ente’ (pessoa) e passou ou transformou sua felicidade nos bens de consumo. Quanto mais posso ter, mais feliz exteriormente estou e, muito mais infeliz interiormente, eu sou.
O homem se esqueceu de que para ser precisa, primeiro: saber. Saber-como e o saber-que. Michael Polanyi argumenta que, se não consideramos a diferença entre saber-que e saber-como, somos inevitavelmente conduzidos a um regresso ao infinito.
Alguns epistemólogos argumentaram que a epistemologia deveria avaliar as propriedades das pessoas - isto é, suas virtudes intelectuais – e, não somente, as propriedades das proposições ou das atitudes proposicionais da mente. Uma das razões é que as formas superiores de processamento - o entendimento -envolveriam características que não podem ser avaliadas por uma abordagem do conhecimento que se restrinja apenas às questões clássicas da crença, verdade e justificação.
Com o conhecimento da verdade, há consequentemente a certeza, que surge mediante a passagem da inteligência à verdade conhecida. A inteligência humana tende a fixar-se na verdade conhecida. Metodologicamente, há primeiramente o conhecimento, depois a verdade, e finalmente a certeza.
O homem pós-moderno pulou o conhecimento de si, a verdade de seu mundo, do mundo que ele habita, e foi em direção tênue a certeza absoluta de que tem tudo e pode tudo.
O dinheiro, a fama e fortuna são os baluartes da atual sociedade. Sou àquilo que consumo, aquilo posso comprar, o poder é ter sempre mais, para se sentir satisfeito exteriormente, enquanto, dentro de si, nada flui, tudo fica estagnado, até que um dia, o sonho acaba.
O ser-humano, hoje, luta para ser, em breve, o homem mais rico do cemitério. Ele se esquece que, as pequenas coisas, podem ser alcançadas com sua própria inteligência, e não através do dinheiro. Viver plenamente, é ser realizado interior e exteriormente.
Isto é o Saber-como e o Saber-que, ou seja, ter a noção de lugar-tempo-espaço, e, através disto, deixar de ser um ser-social ambíguo, voltado somente para o lado material e posição social, e tornar-se ‘mais senhor de si’, ao entender que a vida não é apenas voltada para o começo e o fim do mês, tornando sua vivencia uma social desvairada.
A vida, é algo não-inextricável, e sua vivência depende daquilo que sabemos sobre nós mesmos. Daí sim, viver será um ato em que o ser-social saberá onde está e porque está aqui.
Por André Guazzelli.













