Por Assis Chateaubriand - Queria entender o mundo. Entretanto, como nunca vou conseguir entender quase nada do que acontece em nossa sociedade, passei a desacreditar – em parte – da justiça, a qual é o baluarte, ou pelo menos, deveria ser o baluarte da justiça justa.
Na semana passada um articulista do Jornal A Bigorna foi condenado por ter feito críticas ácidas ao ex-prefeito Joselyr Benedito Silvestre. Condenado por improbidade administrativa, com mandato cassado, etc.
O juízes de nossa Comarca, em seus Acórdãos, claramente chamam-no de delinquente político, faz seu meio de vida na ilicitude, dentro outras.
Daí, o pior, o articulista usa as mesmas palavras do juiz, diz que o prefeito – opa, ex-prefeito é improbo, e é condenado.
Destarte, não me contive e fui verificar o significado da palavra IMPROBO - Diz-se de quem é desonesto; quem não é íntegro; quem não é honrado.
Bem. O juiz chama o ex-prefeito de desonesto, que vive de ilicitudes, no entanto, o articulista, o besta que deve emitir opiniões à sociedade, pois a imprensa são os olhos da sociedade, não pode.
Senhor Magistrado, hoje, com a Operação Lava-Jato, a justiça ganha créditos de quem é corrupto, não pode fazer parte da política, mas, aqui, pelo que noto, criticar políticos desonesto (improbo) não pode, pois o jornalista corre o risco de ser condenado.
Ou seja, isso enfraquece a imprensa, impede a população de conhecer quem é quem no cenário político, pois decisões como condenações que privam o jornalista de criticar políticos ímprobos – simplesmente – enfraquecem a imprensa, a qual deve ter o crivo a transparência, e informar, criticar e mostrar à sociedade que, político improbo não pode voltar a administrar – ou melhor – no caso de Joselyr – como diz numa das sentenças do juiz Marcelo Cabral “voltar a delinquir”.
Joselyr foi mais fundo ainda, o que me deixou indignado, ao acusar o jornalista Wilson Ogunhê, de ter preço. Absurdos à parte, é isso que a justiça deve coibir – maus políticos, e não coibir a imprensa que deve e tem o papel de manter a democracia limpa aos olhos de quem lê.
No entanto, o que me conforta é uma frase de Nietzsche, que dizia: “enganar os outros é um defeito relativamente insignificante; o que nos transforma em monstros é o autoengano.”
Chatô é escritor.













