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Editorial

Medo e cautela nas escolas

Por Jornal A Bigorna 24/04/2025 06:20:00 1109
Medo e cautela nas escolas

O Brasil assiste a uma escalada de violência nas escolas, segundo levantamento publicado na revista Pesquisa Fapesp, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. A conclusão, perturbadora, decorre dos registros oficiais de incidentes num período de dez anos, com dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania: em 2013, foram registradas 3,7 mil vítimas de violência interpessoal nas escolas, incluindo estudantes, professores e outros membros da comunidade escolar; em 2023, esse número subiu para 13,1 mil. A esse crescimento soma-se outra evidência, apontada pelo Atlas da Violência 2024, produzido em parceria pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, segundo a qual cresceu, também num ciclo de dez anos, o porcentual de alunos que relataram ter sido vítimas de bullying.

Conforme a publicação da Fapesp, o Ministério da Educação reconhece quatro tipos de violência: agressões extremas, com ataques premeditados e letais; situações de violência interpessoal, envolvendo hostilidades e discriminação; violência institucional, com práticas excludentes por parte da escola; e o bullying, intimidações físicas, verbais ou psicológicas de modo intencional e repetitivo, prática que, desde o ano passado, é crime tipificado em lei. O MEC reconhece, também, os problemas em volta da escola, como tráfico de drogas, tiroteios e assaltos. Agressões físicas correspondem à metade dos casos notificados, seguidas de violência psicológica/moral (23,8%) e sexual (23,1%).

Números como esses ajudam a modular a sensação de medo, insegurança e impotência de pais, alunos, professores e profissionais em geral que atuam com ensino, infância e adolescência. Também são essenciais para pavimentar o caminho da busca de soluções preventivas, incluindo melhor qualificação na identificação de comportamentos e sinais que possam levar a práticas violentas. Revelam-se igualmente relevantes no despertar de autoridades para o sentido de urgência por um maior preparo do País para enfrentar a violência dentro das escolas e em seu entorno. E se transformam, por fim, num elemento a mais de alerta para um público já em sobressalto – o que explica a impressionante repercussão de obras como A Geração Ansiosa, que detalha os efeitos nefastos do mundo hiperconectado para a saúde mental dos jovens, ou a minissérie Adolescência, que se tornou a mais vista na plataforma Netflix ao gerar debates sobre temas como ódio online, machismo e o impacto de discursos radicais em adolescentes.

Convém cautela, contudo, para não espalhar brasas onde já existe fogo. Se, por um lado, a arte e os números servem para reduzir o abismo existente entre dois mundos – o dos adultos e dos adolescentes – e, sobretudo, não deixar que a inércia, a incerteza e o desconhecimento deixem prosperar a ideia de que a escola é lugar de perigos e não de aprendizagem e convivência, por outro lado, o risco é de que um caldeirão de conclusões simplificadoras termine por produzir uma espécie de pânico moral, como são chamadas as reações desproporcionais a problemas vistos como ameaça à ordem social. O levantamento da Fapesp calculou que a violência escolar mais do que triplicou em dez anos. Os dados não desmentem tal conclusão, mas isso não significa, por exemplo, que se esteja diante de uma epidemia de violência escolar. Os números são amplificados pelos picos de 2022 e 2023, quando ocorreu uma sucessão de tragédias em creches e escolas. Da mesma forma, a alta nos registros de bullying, conforme o próprio Ipea reconhece, é em boa medida decorrente do aperfeiçoamento do sistema de notificações do Ministério da Saúde.

Antes, portanto, de inspirar medo generalizado e medidas drásticas – como vigilância e punitivismo em excesso –, os estudos e os debates deles decorrentes precisam fortalecer diagnósticos e soluções baseados em evidências. Assim como os problemas têm natureza múltipla, as respostas também implicam uma soma de complexidades e ações intersetoriais que não comportam vaticínios simplistas. Mas, com ou sem excessos, há pelo menos uma grande certeza: o País não pode ignorar o debate do que fazer com a escola e seus jovens.(Do Estado)

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