Em meio a um cenário de crises política e econômica, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu nesta terça-feira (11) que sua sucessora, Dilma Rousseff, pode errar à frente do governo federal.
Em discurso na abertura da 5° Marcha das Margaridas, em Brasília, ele admitiu que o país enfrenta atualmente dificuldades, mas pediu que não julguem a petista pelos últimos seis meses, mas pelos quatro anos de mandato.
"É lógico que ela [Dilma Rousseff] pode errar, como eu errei e como qualquer um erra enquanto mãe. Nem sempre a gente faz as coisas que são aceitas cem por cento pelos filhos. Nós sabemos disso, mas quando ela errar, ela é nossa e temos de ajudá-la a consertar", afirmou. " Não julguem a Dilma por seis meses de mandato, porque ele é de quatro anos", acrescentou.
A uma plateia de cerca de 40 mil trabalhadores agrícolas, o petista deu um recado aos defensores do impeachment da presidente. Segundo ele, com a força do povo e a coragem das mulheres, "não há ninguém que possa sequer tentar ameaçar o processo de construção democrática que está implantada no país".
Em uma crítica aos partidos de oposição, o petista disse que eles estão "raivosos" e não percebem que a eleição presidencial acabou e que a petista foi eleita presidente.
"Essas pessoas que agora se apresentam como a solução se esqueceram de que, quando cheguei à presidência do país, ele estava quebrado", provocou.
Para o petista, a presidente não pode ser responsabilizada pela crise econômica atual, causada, na avaliação dele, por instituições bancárias dos Estados Unidos e pela Europa.
"É o momento da gente levantar a cabeça e dizer para a companheira Dilma que o problema que o país tem enfrentado não é só dela, mas é nosso", defendeu.
Em uma crítica ao seu antecessor no Palácio do Planalto, Fernando Henrique Cardoso, o petista disse que o tucano precisava conhecer melhor o país ao ter afirmado nas eleições passadas, segundo ele, que a presidente só ganhou por causa dos votos no Nordeste.
Na época, o tucano negou que tenha criticado a população nordestino e acusou o petista de ter mentido sobre a declaração dele.
"Se ele tivesse um pouco mais de paciência, e conhecesse um pouco mais o país, iria perceber que uma parte da comida que vai para a mesa dele é produzida pelas mulheres nordestinas", disse.
Com tom governista, o evento foi marcado por discursos favoráveis às gestões petistas e contra os movimentos favoráveis ao impeachment da presidente.
"Não admitimos nenhum golpe nesse país", defendeu a secretária de mulheres da Contag, Alessandra Luna.
Apesar da postura amistosa em relação ao governo federal, houve também críticas ao ajuste fiscal promovido pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy.
"Faça o ajuste fiscal, mas não tire os direitos dos trabalhadores", defendeu o presidente da Contag, Alberto Broch.













