O absurdo e o sucesso dos algoritmos
Por Guilherme de Andrades
Com o advento da Globalização, a internet como um dos produtos, gerou a criação das redes sociais, que mundialmente possui adesão ampla dos usuários. Recentemente, vem crescendo o discurso de ódio, enfoque deste artigo. É comum ver certas postagens e irritar-se, todavia, isso não é por acaso, e sim algo intencional, a denominada “isca da raiva”, que designa conteúdos criados com a função de provocar, indignar, gerar reações e ampliar a difusão: vivemos a era onde disputa-se às emoções. Posts que chocam ou revoltam são inundados de comentários, elevando os algoritmos. A indignação mobiliza e ganha visibilidade.
Nos estudos filosóficos, Byung-Chul Han apontou que o digital facilita o imediatismo das reações, a alta velocidade do engajamento acaba reduzindo o reflexivo e o racional. A vida no século XXI é pautada na tela como mediadora das relações, num processo de deslizar eterno, as publicações não se esgotam.
A percepção de tais mecanismos devem, sobretudo, abrir a janela mental para chegar-se à conclusão que nem toda publicação absurda e provocativa merece a resposta dos indivíduos, deve-se preservar a energia de si, o interromper é a chave. A irritabilidade interna transformou-se em meio de visibilidade, cabe a cada um selecionar o que é válido.
O ser humano não é vítima do digital, mas as redes são um reflexo do cotidiano, onde valoriza-se o instantâneo e a resposta rápida e intensa. Surge assim o conceito de “economia da atenção” e “economia da reação”.
A visibilidade é permanente e as reações são contínuas, como numa grande esteira de fábrica, onde a produção segue os mesmos parâmetros acelerados.
Sobre Guilherme de Andrades:
Professor/Historiador, especialista em História e Geografia do Brasil, bem como em Metodologias do Ensino. Possui certificação USP sobre Geopolítica Contemporânea.













