Por José Carlos Santos Peres – O nosso Jô (nosso, quem, cara pálida?) precisa urgentemente encontrar um “Rodrigo Caio” para, quem sabe, dar nova dimensão ao seu entorno administrativo.
Lá na capital o zagueiro do São Paulo livrou o centroavante do Corinthians de um cartão amarelo, mesmo sabendo que tal ato ético poderia lhe custar caro, o que de fato está acontecendo.
Em vestiários e corredores palacianos; nas ruas, bares, restaurantes e oficinas; congressos, câmaras, mansões e funerárias, e até no silêncio de uma alcova a Lei do Gerson prevalece, que o ser-humano parece mesmo ter dificuldade para lidar com seus instintos primários – arquétipos enraizados – não conseguindo equilibrar etos e thanatos.
Nem todos entenderam o gesto do futebolista. Estão embrutecidos pela prática do vale-tudo, entendem que a ética no futebol aproxima-se da de uma guerra, esquecendo que mesmo numa situação bélica há códigos a serem seguidos.
Mas o que tem a ver o nosso (nosso, quem, cara pálida?) Jô como Jô do Corinthians, alguém haveria de perguntar? E o articulista, do alto de suas elucubrações diz perceber que o prefeito precisa construir uma melhor assessoria para ajudá-lo em suas tarefas diárias ou usar o ensinamento prestado pelo jogador como estratégia de trabalho aos que lhe dão retaguarda.
Há um contexto bélico envolvendo o prefeito. Exagero? Nem um pouco. O leitor nem precisa estar atento para perceber que o terreno que cerca Jô Silvestre está minado. O sentimento da Câmara de vereadores e da imprensa – de uma maneira geral – não é o de repulsa ao governante, como alguns acreditam, mas de desconforto por perceber e sentir ações que não combinam nem um pouco com estes tempos democráticos.
Silvestre deveria sair do casulo e se colocar mais à disposição da Câmara e da imprensa. Nesse aspecto, são bons os exemplos de Miguel Paulucci – num passado mais distante – Paulo Novaes, só para ficarmos nesses dois. Eles nem se deixavam procurar pela imprensa, procuravam-na para exposições de motivos, respostas a críticas, formulações diversas. Barcheti, para citar mais um, também fazia isso muito bem.
O prefeito poderia abrir um canal direto de comunicação com os vereadores, mesmo – e principalmente – com os da Oposição; conversar com os jornalistas, mesmo aqueles que não lhe são simpáticos. Enfim, trabalhar a boa convivência. Poderia ser, ele mesmo, o Rodrigo Caio de sua gestão. Isso lhe daria outro dimensionamento. Mas, para tanto, teria de desarmar as minas que foram plantadas em seu entorno.
Quem terceiriza a própria fala acaba por precarizar a comunicação. É isso!
*José Carlos Santos Peres é escritor e articulista do Jornal A Voz do Vale













