Por André Luis – O mestre ensinava aos seus discípulos sobre a paciência. Falava que o tempo deixa perguntas, mostra respostas, esclarece dúvidas, mas acima de tudo, o tempo traz a verdade.
Enquanto falava notou que um de seus discípulos parecia incrédulo. Impaciente, se mexia com frequência e pouco prestava a atenção.
Entretanto, continuou a ensinar. A paciência era, segundo o mestre, um dos dons mais difíceis de serem aprendidos com total capacidade de alma e espirito. É ela, dizia o mestre, que nos torna mais sábios, e menos arrogantes.
Quando, de repente, o discípulo inquieto se levantou, e quando pensava em sair, sentiu a mão do mestre em seu ombro.
- Volte. Conversaremos sozinhos depois.
E os ensinamentos sobre a paciência foram vários.
Por fim, citou um dos que achava um dos ensinamentos mais sábios. O de Dalai Lama, e disse:
Um grande homem, que vocês conhecem, chamado Dalai Lama disse, uma vez, e quero que vocês meditem sobre isso:
- Perguntaram a Dalai Lama , “o que mais lhe surpreendia na humanidade”. E ele respondeu: “Os homens...porque perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem dinheiro para recuperar a saúde. E por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem do presente de tal forma que acabam por não viver nem o presente nem o futuro. Vivem como se nunca fossem morrer.. e morrem como se nunca tivessem vivido.”
Terminada a reunião, o mestre se reuniu com o discípulo incrédulo. Ele disse ao mestre que estava perdendo a fé, que sua esposa tinha lhe abandonado por um homem mais rico, pois ele era pobre, não tinha mais família e, aos poucos os serviços de sapateiro estavam ficando escassos.
O mestre apoiou-se na bengala, respirou fundo, e disse que a vida era um contraste de altos e baixos.
- Nunca estaremos sempre acima, como nunca estaremos sempre abaixo. Pense no que lhe falei do tempo e medite.
Depois de abraçar e sentir o choro de uma pessoa agoniada e desesperada, o mestre pegou-lhe pelos ombros de forma fraterna e, por fim, disse-lhe:
- Filho a vida é feita para nossa evolução espiritual, tão veloz, tão passageira. A gente sofre demais por bobagens, por besteiras. Tudo um dia se desfaz mesmo que queira ou não queira. Importa é viver em paz, por isso peço-lhe paciência, pois, um dia iremos olhar para trás, e veremos que sofremos por coisas bobas que o próprio tempo se encarregará de levar como se fosse um lixo, mas isso exige paciência. Jesus desenvolveu em seus discípulos a arte da tolerância, da solidariedade, do perdão e a capacidade de se pôr no lugar do outro, com amor e tranquilidade. Agora volte ao seu comércio, medite, e, tente - aos poucos- começar tudo de novo.
Dito isto, entregou um papel ao discípulo e subiu.
Nele estava escrito:
“Não somos perfeitos. Decepções, frustrações e perdas sempre acontecerão. Mas Deus é o artesão do espírito e da alma humana. Não tenha medo. Depois da mais longa noite surgirá o mais belo amanhecer.”













