"A loucura escancara a hipocrisia dizia seu professor. Usem a ética, com pelo menos algum potencia, porque você jamais conseguirá agir em toda sua vida com extrema ética, pois um dia seu amigo, ou até você mesmo se corrompe. E digo mais o Poder corrompe àqueles que não possuem caráter, e, isso, vocês vão se deparar pela vida toda"
Esta fora a última aula!
Depois que se formou foi advogar, ganhou algum dinheiro honesto, entretanto foi corrompido pela Poder. Algumas trilhas que resolveu escolher como caminho de sua vida o levaram a ingressar no Poder, e lá dentro conheceu que era o de melhor. A podridão tomou conta de seu frágil caráter.
A vida foi e ele percorreu o caminho, sem ter sentido na vida. Os homens, em geral, se deparam com a “pesada” condenação de serem livres para fazer o que querem de suas vidas, já que eles só existem se existirem para eles mesmos. Como, por exemplo, para Sartre, você só sabe, se “sabe que sabe”, ou seja, se tem consciência daquele saber
Anos depois, no Poder, um dia sonhou com o famoso e impoluto professor. Acordou aterrorizado. Aos poucos, dentro do Poder conheceu outros políticos mais inescrupulosos e, a eles coadunou-se.
Deste modo, a vida sortiu outro caminho, mais negro, perfilado não só a falta de caráter, mas também a maldição de fazer o mal sempre que podia. Sua família era um simples apetrecho de sua vida que, naquele instante, já se tornara tão vulgar, que nem mesmo ele percebera.
Tornou-se um homem kafkiano. Uma metamorfose a cada dia. Ficou conhecido na política como ‘duas caras’ e pela sociedade ficou rotulado como uma figura desagradável e mentirosa.
Avesso à verdade, só aceitava sua própria verdade e, se revelou logo, um hábil ardiloso, que bajulava o Rei, o mesmo que antes ele intitulava de ‘sem caráter e burro’.
Aliado de outro político sem grande conhecimento, ele transformou sua própria vida num beco sem saída; história sem vida; vida sem humanidade.
Ele viveu no umbral em vida. Criou seu próprio umbral, onde ele pensava ser Rei, mas, na verdade, ele era o ‘bobo da corte’ – só que sua visão turva e funesta que ele próprio criou, o impediu de enxergar o próprio ambiente em que ele estava, mas, não vivia – apenas estava seu ser, sem ser. O político que ele achava ser um tolo, simplesmente o estava usando; entretanto ele próprio a cada dia que passava se achava mais inteligente, e fez de sua vida uma ficção indubitavelmente sombria.
Depois de muito tempo, os políticos que o usaram ‘voaram’ para longe, e ele ficou só, em sua própria solidão promíscua. A vida promíscua que ele próprio criara o engoliu ainda em vida.
Quando se deu conta, deste modo, atentou aos lados vislumbrou que ele era o NADA. E, depois de certo tempo, morreu naquele Nada, vazio e insípido, que, aliás, ele mesmo inventra em sua mente. A invenção matara o inventor.
André Guazzelli é jornalista.













