Era uma tarde de verão e Eliana estava contente e, ao mesmo tempo, extremamente triste.
Era o dia de seu casamento.
Sentada numa cadeira da cozinha, de repente, ela começou a ter um acesso de choro. Sua mãe ao vê-la daquele modo, pegou-a pela mão e disse que iriam visitar uma pessoa e, que ela deveria ouvi-la.
Cabisbaixa, ela aceito, mas as lagrimas ainda escorriam de seu rosto. Entraram no carro e percorreram por mais de uma hora até o local. Eliana, não disse uma palavra durante todo o percurso.
Finalmente, depois de um tempo chegaram a uma casa localizada num subúrbio da cidade.
Sua mãe pegou sua mão, dizendo para descer e não temer nada, Eliana estava ansiosa e ainda não parava de chorar.
Dirigiram-se até a sacada da casa. Uma casa simples, porém, bem cuidada.
Sua mãe tocou a campainha...
Segundos que pareciam durar horas para Eliana.
Por fim, uma senhora idosa veio até a porta e saudou a mãe de Eliana com um forte abraço.
“Quanto tempo amiga. Saudades.” - disse a senhora idosa – “Venha entre. Vamos tomar um café.”.
As duas entraram, e, então a mãe de Eliana apresentou sua filha. Foram até a cozinha, e Eliana pediu para ir ao banheiro. Não queria chorar na frente de uma desconhecida.
Após algum tempo, ela voltou. As duas amigas conversavam alegremente.
“Filha. Minha querida. Está é a senhora Maria Victória.” – disse e levantou-se – “Quero que vocês conversem e diga a ela tudo o que está sentindo”.
A senhora, apesar da idade, tinha uma desenvoltura grande.
“Querida. Sou amiga de sua mãe há anos. Quer falar comigo. Só irá falar se realmente tiver vontade, entende?.”
Eliana pensou por algum tempo e recomeçou a chorar. A senhora idosa veio até ela e secou-lhe as lágrimas.
Depois de alguns minutos de hesitação, por fim, Eliana foi até uma sala com a velha senhora.
Entraram num cômodo simples que tinha apenas uma cadeira e um sofá. Por ali, ficaram muito tempo sem uma palavra de Eliana ser dita. Por fim, a velha senhora quebrou o silêncio.
“Ele esta aqui.”
As palavras assustaram a moça.
“Quem? Não estou vendo ninguém.”
A senhora fitou-a firmemente Eliana e voltou a dizer, a mesma frase. Àquilo assustou Eliana, que, por um momento, pensou em sair da sala, quando foi interpelada novamente.
“Ele te pede para que não saias daqui.”
“Ele? Ele, quem?”
“Seu noivo, que faleceu de câncer há três anos.”
Novamente, Eliana assustou-se.
“Como à senhora sabe?”
“Menina. Não ligue para o que eu sei. Estou aqui para lhe ajudar.” – obtemperou.
Depois de mais algum tempo, Eliana olhou fixamente os olhos da senhora que estava a sua frente e sentiu paz e coragem.
“Esqueci o nome da senhora, me desculpe. Entretanto, estou com muito medo e triste. Justamente por causa desta pessoa que a senhora falou.” – e recomeçou a chorar.
A senhora levantou-se pegou em suas duas mãos e disse-lhe para não ter medo. Tudo ali estava em paz naquele momento.
Eliana se sentiu segura, e, por fim, começou a falar.
“Perdi o grande amor de minha vida para uma doença. Depois disto, nunca mais quis nada com alguém. Nenhum relacionamento. Entretanto, depois de um tempo, conheci Carlos. Uma pessoa simples, na qual eu me senti segura ao seu lado. Estamos juntos há quase cinco anos, e nunca tive coragem de me casar com ele, pois eu ainda amo meu querido José,”- disse e abaixou a cabeça.
A senhora esperou algum tempo.
“Eu sei que você o ama. E ele está aqui para dizer o mesmo para você.”
Ao dizer tais palavras, Eliana, voltou a chorar, desta vez, desesperadamente.
A senhora a acalmou.
“Eliana. Seu amor não morreu. Ele vive. Ele está em outro estágio da vida espiritual, e sempre lhe envia vibrações de amor e esperança. Ele pede para lhe dizer que o amor que sente por você está em seu coração e que ninguém jamais irá apagá-lo.”
Elas se entreolharam.
“Eliana. Ele teve permissão para vir te trazer paz e amor. Eu pedi e recebi a autorização. Ele está esbelto, forte e não sofre mais. No entanto, ele ao mesmo tempo, está um pouco triste. Sabe que você vai se casar, e que você não quer continuar sua vida por causa dele. Contudo, ele quer que você cumpra seu ciclo, para um dia voltarem a se encontrar, e pede com muito carinho que você se case e tenha uma vida bela e feliz. A pessoa que você escolheu é uma boa pessoa, ele me diz. O amor nunca morre, ele está dizendo, querida. Todo o amor que temos dentro de nós levamos junto conosco com a morte física. É a única coisa que levamos daqui, ele me diz. Ele terá que ir. Pede que lhe fale que continuará sempre a amando; agora, ele está a seu lado e sente feliz por vê-la num dia importante aqui na Terra. Logo, diz ele, vocês se encontrarão. Ele diz para não ter medo. Ser forte, porque a vida é uma sucessão de batalhas, e estamos aqui para enfrentar tudo isso, e pede que tenhas fé.”
Depois de dizer tudo isso, a mulher voltou ao normal.
“Desculpe. Acho que dormi.”
Ela sse levantou e as duas foram até a sala de visitas, onde estava a mãe de Eliana.
A mãe a esperava e tinha um brilho em seus olhos. Eliana abraçou sua mãe e chorou copiosamente.
Ela se casou naquele dia e, na, manhã seguinte foi até a casa da velha senhora e lhe entregou flores. Abraçou e lhe deu um beijo... depois saiu... Para o recomeço.
Por André Luís.













