O presidente da Câmara Municipal de Avaré, vereador Denílson Ziroldo, utilizou seu tempo na palavra livre da sessão ordinária da última segunda-feira, dia 19, para defender os funcionários da Prefeitura e criticar duramente as últimas medidas tomadas pelo executivo que, segundo ele, prejudicaram os servidores municipais.
Ziroldo se lembrou do lixo que ficou acumulado na cidade no feriado prolongado do dia 12. "O feriado do dia 12 de outubro foi muito triste para nossa cidade. Estou falando do cenário lastimável que Avaré amanheceu no domingo (dia 11). A quantidade de lixo acumulado no centro da cidade causou um misto de horror e de indignação da população e é claro que não foi somente no centro. Nos bairros os sacos de lixo se acumulavam. Toda ação tem uma reação e isso se confirmou em Avaré".
O vereador criticou a posição do prefeito Poio Novaes em manter secretários técnicos. Para ele, alguns gestores de pastas importantes estariam pensando somente em números e não no ser humano. "O prefeito nomeia secretários técnicos, porém, pouco sensatos. Esses secretários, principalmente de Fazenda (Valdir Rodrigues) e Administração (Deira Visentin) visam lucro, arrecadação, receita e vieram com esses pacotes de cortes para os funcionários, mas tem dinheiro para aquisição de celulares, ainda que através de planos, locação de enfeites de natal, não se mede esforços para gastar. Esses secretários são perfeitos para pacotes e planilhas, mas se esquecem do principal que é o lado humano e isso o prefeito está escutando há três anos".
Ele acrescentou ainda que a decisão de alterar a data de pagamento do funcionalismo teria sido uma atitude "brutal" contra os servidores. "Alterar a data de vencimento do salário dos funcionários e o corte de horas extras fazem com uma facilidade brutal. Falo brutal porque fazem dois meses que avisam dos cortes e dos parcelamentos as vésperas do dia do pagamento. A Prefeitura tem 2870 pessoas, pais e mães de família e que sobrevivem do seu árduo trabalho e salário. Tomam essas decisões estudadas em termos de números. Esquecem que sem a coleta de lixo a cidade fica emporcalhada, suja, o lixo se torna chamariz de bichos asquerosos como ratos, baratas, tornando um problema de saúde pública".
ATITUDE - Para Ziroldo, o prefeito deveria tomar atitudes em favor do funcionalismo. "Já passou da hora para dar um murro na mesa. Os funcionários não são números e merecem ser tratados com respeito e reconhecimento. Menos de 48 horas sem coleta, e a cidade virou um caos".
A diminuição do horário de atendimento nos postos de saúde também foi duramente criticada pelo presidente do legislativo. "Outra atitude impensada foi fechar os postos de saúde às 13 horas para economizar, mas economizar o que se a Prefeitura não está pagando nem água e nem a luz. Nós estamos em dívida com a Sabesp em mais de R$ 8 milhões. A energia está atrasada, a Avareprev está atrasada".
Ele lembrou que no início da administração, o prefeito Poio Novaes aumentou impostos com a desculpa de quitar dívidas de gestões anteriores, porém quem está pagando a conta é a população. "No início do governo aumentaram impostos para pagar dívidas de outras administrações, mas agora fecham os postos de saúde para novamente o governo pagar contas. Quem está pagando as contas? Quem está ajudando a população? Ninguém porque quem sofre é o povo. Aonde vão as pessoas se tiverem seus filhos adoecidos após às 13 horas. Aquele cidadão do bairro Paraíso, como vai sair e ir até o Postão da Rua Acre ou ao Pronto Socorro". "Na Barra Grande apenas um médico atende a população e lá a farmácia do posto está fechad., O morador daquele bairro que necessita não recebe medicamentos. Como é que aquele munícipe vai sair de lá e ir até a cidade somente para pegar o medicamento? A cavalo? E se for um problema grave que exige uma medicação urgente, a pessoa morre e fica por isso mesmo? Onde está o direito a saúde? Lá isso pelo jeito foi esquecido, e a população está a mercê da própria sorte", questionou.
Para Ziroldo, o atual governo teria que repensar a forma de governar e focar mais no bem estar dos funcionários e dos avareenses. "Temos que repensar a maneira de governar, pois toda a população paga seu imposto e tem seus direitos e esse governo não está vendo isso porque está cego para pagar contas. E está pagando mal, sempre com a desculpa de queda dos repasses. O governo não consegue gerir corretamente as verbas e a arrecadação. A população necessita do mínimo, que é a saúde, educação, um trabalho e viver com dignidade. E o governo municipal não está entregando esse mínimo. Estamos cansados de vir aqui cobrar e apresentar sugestões para melhoria da cidade e não se faz nada. Coisas que foram prometidas e não foram cumpridas. Eu peço em nome desta Câmara, por favor, não coloque tantos técnicos para mandar nessa cidade. Lógico que queremos pessoas capacitadas e competentes, mas que precisam, antes de tudo olhar para o ser humano na administração da cidade, porque o povo precisa de respeito e dignidade", finalizou.













