PF desarticula rede internacional de tráfico de drogas
Depois de dez meses de investigações, a Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira, uma operação para desarticular uma quadrilha de tráfico de drogas internacional e lavagem de dinheiro. Batizada de “Denarius” (dinheiro, em latim), a operação ocorre no Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Minas Gerais, Rondônia e Mato Grosso do Sul. As ordens judiciais estão sendo cumpridas por 180 policiais federais e 10 auditores da Receita Federal em cinco estados e 16 municípios. Existem mandados de prisão contra 13 pessoas e mandados de condução coercitiva contra outras 16 pessoas, mandados de busca e apreensão de bens para 37 veículos (automóveis, caminhões e motocicletas), duas embarcações (lancha e jet ski) e três aeronaves (dois aviões e um helicóptero), e 3.500 cabeças de gado.
A Polícia Federal iniciou as investigações em fevereiro deste ano, quando descobriu que um pecuarista de Umuarama, no interior do Paraná, junto com pessoas residentes em outros cinco outros estados (Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rondônia, São Paulo e Minas Gerais), recebiam cocaína do Peru e da Bolívia e enviavam para a Europa – especialmente para a Espanha – em contêineres contendo madeira para casas pré-fabricadas.
O dinheiro recebido pela venda da cocaína, em sua maioria euros, era então entregue a uma rede de operadores de câmbio baseados em São Paulo e Umuarama, que investiam tudo em imóveis, gado, veículos e até aviões. Os participantes do esquema também frequentemente tiravam férias caríssimas no exterior.
Segundo a Polícia Federal, a organização era composta por 13 pessoas. Durante as investigações, foram apreendidos 150 mil reais na cidade de Guaíra, no Paraná, na divisa com o Paraguai, em junho. Em setembro, foram apreendidos 831 quilos de cocaína em Porto Velho (RO), camuflados em dois contêineres que seriam exportados para Madri.
Também foram expedidas ordens de bloqueio de 43 bens imóveis que, juntos, são avaliados em mais de R$ 60 milhões, o que dá uma dimensão do montante de dinheiro movimentado pela organização. São 16 terrenos urbanos, nove casas, sete fazendas, cinco apartamentos, quatro sítios e dois prédios comerciais. As contas bancárias de 17 pessoas foram bloqueadas.
De acordo com a Polícia Federal, tanto os imóveis quanto as contas bancárias podem estar em nome de “laranjas”, para lavar o dinheiro que os membros da organização faturaram com o tráfico.













