Precipício do Nada
Conto os dias, conto as horas,
Olhares perdidos no céu.
Um profundo precipício
Onde não há nada, só um véu.
E a solidão, esta companheira,
Que no peito dói e bate.
Firme na alma, fria e inteira,
O espírito ensanguenta e late.
Noites a fio, dias vazios,
Sentado, à espera de um talvez.
Um algo que nos seja caro,
Mas que, sei bem, nunca virá.
Será a idade esta magnitude,
Este peso de ser esquecido?
Jogado às urtigas pela sociedade,
Num canto sombrio e despedido.
O pulso vibra, um eco mudo,
Remédios para a dor sem par.
Leituras que não curam tudo,
Um coração sem lastro no ar.
E o aviso chega sem alarde,
Mas a ferida é profunda, é real.
A solidão é o mais pesado fardo,
É uma dor que consome, é um mal.
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André Guazzelli
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