No Dia Internacional da Mulher, celebramos mulheres fortes.
Mas pouco falamos das mulheres que foram chamadas de “fortes” quando, na verdade, estavam apenas sobrevivendo.
Durante anos, o autismo foi descrito com base em estudos predominantemente masculinos. A proporção clássica de 4 meninos para cada 1 menina reforçou a ideia de que o espectro era quase exclusivamente masculino. Hoje, pesquisas sugerem que essa diferença pode estar mais próxima de 3:1 ou até 2:1.
O que isso significa?
Que muitas meninas cresceram sem diagnóstico.
E muitas mulheres chegaram à vida adulta sem saber por que sempre se sentiram diferentes.
Elas aprendiam a observar antes de agir.
Imitavam expressões faciais.
Treinavam respostas sociais.
Suportavam o desconforto sensorial em silêncio.
Chamaram isso de maturidade.
Chamaram isso de timidez.
Chamaram isso de ansiedade.
Mas, em muitos casos, era autismo.
Estudos mostram que mulheres autistas apresentam taxas de ansiedade que podem ultrapassar 40%, e índices de depressão que variam entre 30% e 50%. Pesquisas também indicam que o risco de comportamento suicida pode ser até três vezes maior em comparação à população feminina geral.
Não porque sejam fracas.
Mas porque passaram décadas tentando caber em um mundo que não foi pensado para sua forma de funcionar.
O DSM-5 ampliou o conceito de espectro. Ainda assim, muitas mulheres continuam sem reconhecimento — especialmente aquelas que desenvolveram alto nível de camuflagem social.
No Dia das Mulheres, talvez a pergunta mais importante não seja “quantas flores foram entregues?”
Mas sim:
Quantas mulheres passaram a vida inteira achando que eram inadequadas, quando apenas eram neurodivergentes?
O espectro também é feminino.
E enxergar isso salva histórias.
Sobre a colunista:
Marcela Fernanda de Andrade é pós-graduada em Neurociência, TEA, Educação Especial e Inclusiva, com capacitação em TEA pela Universidade de Harvard, Autismo e Síndrome de Tourette pela The American Academy of Pediatrics (AAP). É mãe atípica, estudante de Fonoaudiologia e mestranda em Distúrbios da Fala, Linguagem e Comunicação Humana.
Instagram: @neurofono_marcelaandrade
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Atenção: Esta é uma coluna informativa. Em caso de dúvidas específicas, procure sempre um profissional qualificado.













