Será que o autismo está na moda?
Nos últimos anos, tornou-se comum ouvir a frase: “Agora tudo é autismo.”
Mas será que o autismo realmente virou uma moda ou estamos apenas começando a enxergar algo que sempre existiu?
Os números ajudam a entender esse fenômeno. Estudos internacionais mostram que o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) aumentou nas últimas décadas. No ano 2000, estimava-se que cerca de 1 em cada 150 crianças estivesse no espectro. Hoje, pesquisas recentes indicam que aproximadamente 1 em cada 31 crianças recebe esse diagnóstico nos Estados Unidos.
No Brasil, dados do Censo de 2022 apontaram que cerca de 2,4 milhões de brasileiros possuem diagnóstico de autismo, o que corresponde a aproximadamente 1,2% da população.
Diante desses números, muitas pessoas concluem rapidamente: “o autismo está aumentando demais”.
Mas a ciência mostra que a resposta é mais complexa.
O que realmente aumentou foi a capacidade de identificar o autismo.
Nas últimas décadas houve avanços importantes:
mais informação para famílias e professores;
profissionais melhor capacitados para reconhecer sinais precoces;
ampliação dos critérios diagnósticos, reconhecendo diferentes níveis dentro do espectro;
adultos que passaram a vida inteira sem diagnóstico agora sendo avaliados.
Ou seja, muitas pessoas que antes eram rotuladas como “tímidas demais”, “estranhas”, “difíceis” ou “desatentas” hoje finalmente recebem um nome para aquilo que sempre esteve presente em sua forma de perceber o mundo.
Outro ponto importante é compreender que o autismo não é uma doença passageira nem um fenômeno social, mas sim uma condição do neurodesenvolvimento com forte base genética e múltiplos fatores envolvidos.
Por isso, quando alguém diz que “o autismo virou moda”, talvez esteja olhando apenas para o aumento da visibilidade.
Na realidade, o que está crescendo não é o autismo — é o conhecimento sobre ele.
E quando o conhecimento cresce, duas coisas acontecem:
mais pessoas recebem diagnóstico correto e mais famílias deixam de caminhar sozinhas.
Talvez o verdadeiro avanço do nosso tempo não seja o aumento dos diagnósticos, mas o fato de que, finalmente, estamos começando a reconhecer e compreender uma diversidade humana que sempre existiu.
Sobre a colunista:
Marcela Fernanda de Andrade é pós-graduada em Neurociência, TEA, Educação Especial e Inclusiva, com capacitação em TEA pela Universidade de Harvard, Autismo e Síndrome de Tourette pela The American Academy of Pediatrics (AAP). É mãe atípica, estudante de Fonoaudiologia e mestranda em Distúrbios da Fala, Linguagem e Comunicação Humana.
Instagram: @neurofono_marcelaandrade
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Atenção: Esta é uma coluna informativa. Em caso de dúvidas específicas, procure sempre um profissional qualificado.













