Por André Luis – Eu estava sentado defronte à capela de minha família, no cemitério, onde fora visitar meus antepassados. Fiquei por ali um bom período.
Tempo para lembrar-me das alegrias, das esperanças, das tristezas e lágrimas que choramos juntos, porém, hoje, em planos distintos, creio que eles estejam orando por mim.
Fechei os olhos por um instante, e rezei um Pai-Nosso, quando, de repente, me apareceu de frente um homem todo de branco, com barbas cristalinas e volumosos cabelos. Achei aquilo ficção de minha já combalida cabeça.
Ele me entreolhou por alguns segundos, depois sorriu e disse: “Eles estão bem. O túmulo é o lugar quieto, onde só habitam os corpos daqueles que lutaram e terminaram a vida com fé e esperança”.
E continuou:
“Nosso caminho aqui, creia meu pequeno homem é curto é breve. Vivemos pouco, e, infelizmente, nos lamentamos e choramos muito. As adversidades são obstáculos para que você seja mais forte e evolua. Infelizmente, o ser-humano não entendeu ainda o valor da morte. Luta somente pelo dinheiro, e esquece-se de seus semelhantes”.
Então lhe perguntei:
“Por que viver, se temos que morrer”?
O velho homem sorriu. Um sorriso cativante e acolhedor. Eu estava ali, aflito, sentindo-me abandonado, em uma tremenda solidão, e aquele olhar acompanhado de seu sorriso, me aquietaram meu aflito espírito.
Ele chegou mais perto e continuou me fitando: “Querido, sei por que choras. A vida é uma dádiva nos concedida por um Ser-Superior, que quer que sejamos alegres e altivos, mas não o tempo todo, porque ele também sabe que a dor de uma partida de alguém que amamos é uma dor incomensurável. Por isso ele, a cada dia lhe manda lembranças, para que você saiba que, um dia, reencontrará todas as pessoas que por aqui amou”.
E continuou:
“Não se aflija. Não há mal que dure para sempre, nem alegria que seja eterna. Tente viver e entender os outros que estão ao teu lado, que você aprenderá muito. Já aqueles que partiram, contribuíram e muito para que você crescesse, mesmo com defeitos, e, assim num futuro, sejais mais firme e orgulhoso de ter vivido aqui. Nosso instante aqui é momentâneo, assim, sempre que vieres ver seus queridos, reze por eles, que, com certeza, as vibrações de amor os atingirão onde estiverem, e, assim, serão retribuídas a você.”
Ao colocar a mão em um dos meus ombros, ele disse:
“Sejais firme, na alegria e na tristeza, pois como já disse, tudo é passageiro e rápido demais para guardarmos mágoa, rancor e ódio de alguém. Perdoe sempre que puder, e tente a cada dia superar-se e ser melhor do que foi no dia anterior. Aí sim, Deus saberá que você está no caminho certo. Perdoe-se pelos seus erros e peça perdão para com quem você falhou, mas jamais guardes maldades dentro de ti, por ela voltará para ti mesmo.”
Quando percebi que ele preparava-se para se retirar, questionei-o:
“Por que tanta maldade e desigualdade entre os homens”?
Ele abaixou a cabeça e notei que seus olhos se encheram de lágrimas. Porém, logo se reconfortou e me disse: “Viva, faça o bem sempre que puder, e quando não puder reze por aqueles que estão em situação difícil. No final de sua trilha você entenderá porque, por aqui, as coisas são tão difíceis; você entenderá por si mesmo.”.
Após as belas palavras, a curtos passos, vi que o homem aos poucos se afastava, como se uma neblina me cegasse, quando por fim, ele se foi.
Permaneci por mais algum tempo ali - chocado, porém, saí dali, sabendo que existem espíritos altruístas, e que não estamos sozinhos nesta caminhada sofrida que é viver e tentar ser feliz.













