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Tango e o pedreiro cruel

Por Jornal A Bigorna 07/08/2022 17:40:00 878
Tango e o pedreiro cruel

Como todos sabem me chamo Tango, Afrânio Tango, e sou detetive particular. Um dos melhores, não, o melhor, O The Best como chama minha amiga Tina Tunner, a Tininha) sempre quando me liga para batermos um papo.

Estava em Honolulu quando recebi uma chamada de um advogado. Ele me contou uma estória triste de uma passagem de sua vida. Choramos os dois ao telefone e voltei rapidamente para salvá-lo. Sou Tango, sou foda e não deixo cliente na mão.

O pobre do advogado tinha uma suspeita, uma triste conjectura na verdade. Sou detetive e ele me contratou.

Dois dias depois estava desembarcando do jatinho de um amigo. Ele é meu mano-brow, chefe do tráfico aqui no bairro e me cedeu caridosamente tudo, até as noitadas foram por conta dele, depois que o Herculano (meu melhor amigo) deu cabo do concorrente dele. Herculano é gay, mas é meu amigo.

No mesmo dia conheci meu novo cliente. Era uma cara legal e adorava comer, assim para não o desmotivar levei-o na padaria do Português e comemos muito lá. Ele foi até legal e pagou minha conta que estava atrasada há seis meses. Depois fomos ao meu escritório onde ouvi toda a estória e o momento conturbador e negro por qual estava passando o pobre operador do direito.

Não posso contar detalhes íntimos, mas ele tinha ‘quase certeza’ de que sua bela esposa estava sendo infiel com ele; ele chorou de novo e aos prantos disse: “Ela pode até me trair, acontece, é uma fragilidade humana, mas justo com o pedreiro, isso não admito. Quero justiça,’ bradou o pobre glutão.

Segundo seus relatos sua esposa era diretora de uma grande escola, e um pedreiro malvado que estava fazendo reformas na escola acabou abduzindo várias profissionais para seu ‘quartinho fedido’. Isso era demais, muitas delas conheceram o quartinho e, para piorar se apaixonaram pelo pedreiro que não tomava banho e ainda por cima usava botinas que, quando tirava cheirava um chulé violento. Dizem as boas línguas, que o chulé era tão forte que fazia um efeito avassalador-apaixonante nas pobres fêmeas. Algumas pegavam a botina e cheiravam como se fosse uma droga viciante, era o chulé do amor.

Das vinte pobres mulheres, quinze foram abduzidas e a escola se encontrava num caos total, pois dez delas divorciaram-se para ficar com o Firmino, o pedreiro cruel.

As brigas tornaram-se constantes na escola e o clima estava piorando porque a diretora, que, segundo tese, estava sendo cooptada pelo pedreiro, o que além de acabar de vez com a escola, tornaria meu amigo advogado ‘chifrudo’ e  isso eu não deixaria acontecer. Ele era gordo e comia tudo que via na frente, mas era um cara da alta sociedade, gostava de swing-gay e me pagou bem.

Assim, Tango tinha um dever, descobrir e acabar com o cruel e malvado pedreiro conspirador!

Demorei duas semanas para conseguir dar prosseguimento às investigações, pois meu cliente vinha todos os dias no escritório na hora do almoço. Isso me atrapalhou, digamos, assim ‘em termos’, mas digamos que foi bom, pois meu cliente gordinho, pelo menos, pagava o almoço nos melhores restaurantes.

Tornei-me um psicólogo para o pobre homem-pesado. Após isso e com meu cliente mais calmo tomei a primeira decisão da investigação.

Meu primeiro ato, conhecer a instituição de ensino!

Fui até a escola, que, na verdade, era uma creche caindo aos pedaços, onde miúdas crianças passavam a infância sorrindo, comendo, chorando, enfim, coisas de crianças. Entretanto, resolvi agir só, seria um duro golpe para o algoz do meu amigo.

Fiz a campana. Aprendi a fazer campanas com meu amigo policial Rubão Bola. Ele era PC e era foda, quando não prendia, dava um jeito de matar.

As sete em ponto ele chegou. Desci do táxi e fui em direção a ele. Medi-o de cima a baixo. Dois metros de altura, uns vinte anos, braços fortes, corpulento, mas nada que me intimidasse. Só que desta vez usei uma tática diferente. Sou um cara bom, mas, às vezes cruel.

Ele passou por mim sem me notar. Nojento! Quando ele me deu as costas ataquei-o sem piedade. Pulei em suas costas e mordi sua orelha.

Plunt, plat, zum.....não vai a lugar nenhum.....

Começou o empurrão, vuco-vuco e tudo o mais de um confronto homem-a-homem. Dei o segundo tapa, mas ele resistiu, foi então que ele levou outro tabefe, depois conseguiu me jogar a uns dois metros de distância. Cai e sujei meu terno armanus do Paraguai. Levantei-me e fui para o embate cara-a-cara.

Ele me jogou ao chão, mas eu consegui dar várias barrigadas no pé do canalha. Depois me levantei como um verdadeiro Van-Damis e dei várias caradas na mão dele. Senti um silvo de dor saindo e notei que conseguira quebrar um dedinho dele com minhas violentas caradas. Apesar de os olhos inchados, consegui pegar a catarina, meu revólver calibre 32.

Mirei, mas ele foi só um pouquinho mais rápido e a tomou de mim. Jogou-a no chão e fez xixi em cima dela.

Depois saiu lentamente.

Foi quando gritei com o cafajeste.

—Pare. – Ele obedeceu na mesma hora. Eu fiz com que ele sentisse pavor.

Sou mal.

Naquela altura e sem a ajuda do Herculano, chegara a hora de mudar de tática. Sou intrépido e arguto. Ofereci dois mil dólares para que ele fosse embora daquele lugar puro e cheio de crianças, além de salvar casamentos desfeitos.

Ele aceito. Colocou a grana no bolso e saiu assobiando.

Senti-me um herói,afinal, os casamentos desfeitos haviam voltados e a normalidade na pequena escola estava restaurada.

Dois dias depois liguei e pedi que meu cliente viesse ao escritório. Os hematomas já haviam sumidos. Mamãe cuidara de mim com gelo e medicamentos nesses dias de recuperação carnal.

Meu cliente cheio com paes de queijo. Eram oito da madrugada. Odeio acordar cedo, mas nesse dia precisava receber o quinhão que me faltava e meu amigo gordo só poderia me ver neste horário.

Comemos, tomamos café, rimos e choramos.

Ele é gordo, mas é diverido.

Após o bate-papo ele me olhou muito sério. Juro que senti um frio na espinha.

—Fez o trabalho?

Assenti afirmativamente.

Ele sacou um bolo de dinheiro. Só depois que percebi que eram notas de dólares.

—Na verdade, sei que o senhor é um intrépido detetive. Não quero saber se minha adorável Eneida me traiu. Quero ver a foto do corpo.

Isso me apavorou.

Rapidamente saquei meu celular XYZ e dei um google.

A foto de um corpo apareceu. Magnetizou ali mesmo.

Olhei friamente e disse:

—Quer mesmo ver?

Às vezes precisamos fingir que somos maus.

O gordo esticou a mão e pegou o celular. Um sorriso de maldade apareceu naquele rostinho de coxinha gorda. De repente, ele começou a chorar e eu também. Nos abraçamos por algum tempo e depois nos despedimos. Meu cliente era emotivo e voltou a me abraçar e beijar.

Nunca mais vi o Grande-Fat.

Assim que ele partiu peguei um táxi.

Era tarde e já se passavam das dez da noite.

O forró da Gertrudez estava fervendo e eu, claro, estava louco pela Beringela, uma moreninha que estava como garçonete no boteco. Minha missão, agora, era conquistá-la.

Sou mal, mas também amo. Tango, Afrânio Tango, detetive particular.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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