Por André Luis – O sol estava entre nuvens, mas o calor era sufocante. Um homem já de idade muito avançada andava pela praça escorado por uma bengala. Aos poucos e com cuidado, ele fazia sua caminhada de final de tarde, quando notou ao lado um menino que chorava copiosamente.
Lentamente dirigiu-se até o menino que estava sentado apoiado a cabeça pelas mãos.
- Por que choras meu pequeno?
O menino levantou a cabeça. Tentou enxugar os olhos, mas as lágrimas ainda rolavam, e disse:
- Minha mãe morreu.
Com dificuldade o senhor sentou ao lado do menino, e deixou a bengala para escorá-lo. O velho, então questionou:
- E seu pai?
-Ele está num bar.
Balançando a cabeça o senhor disse:
- Amanhã é sábado. Venha aqui e vamos conversar. Estou muito desgastado hoje, mas amanhã estarei a sua espera, claro, se você permitir.
Todos os sábados, o velho estava no local, mas o menino, por semanas não apareceu. Até que passado muito tempo, o velho sentado no banco da praça, balançava sua bengala, quando avistou o menino.
Assustado o menino disse:
- Meu Deus, depois de tanto tempo o senhor veio mesmo?
O velho riu e falou:
- Sente-se aqui.
Ficaram pelo local por umas duas horas. Depois de muito tempo, enfim, o menino sorria. O velho ajudado pelo garoto andava pela praça, e lhe dava conselhos.
As conversas aos sábados fluíram depois e se tornaram hábito frequente entre ambos.
O tempo passou...
Aos 18 anos, o menino disse ao velho que iria à outra cidade, onde decidira tomar uma decisão na vida.
O velho não questionou. Apenas sorriu e disse:
- Você vai ser muito feliz.
Os dois se abraçaram, e o outrora menino chorou pela partida.
- Agora pense em Deus, reze por sua mãe e vá meu amigo.
O jovem foi embora intrigado, pois sequer seu amigo idoso lhe pergutou para onde ia, apenas dizendo que seria feliz. Àquilo o perturbou por uns dias, mas ele acabou esquecendo.
Dois anos depois, o menino, já com 20 anos era frade numa Abadia, quando resolveu ir até o cemitério da própria Abadia. Tinha trauma da morte da mãe, e nunca voltara a um cemitério. Caminhando com um colega, chegaram ao local.
O Monge disse:
- Aqui repousam nossos antigos sacerdotes, frades e monges. São poucos. Apenas 21, e em cada túmulo há uma inscrição.
Caminhando o frade Jonas, de repente estacou.
Aquela foto numa sepultura o assustou.
- Este senhor era, enfim, o quê?
-Ele foi nosso reitor por muitos anos, e, principalmente, nosso conselheiro espiritual da Abadia, por anos.
O jovem frade se assustou. Era a mesma foto do velho que conhecera há anos, e que lhe ensinara a enfrentar os percalços da vida.
Estava escrito na lápide:
“Mesmo em outros mundos, um dia nos reencontraremos”.
Só então caiu em si e viu a data do falecimento do monge. Fora a 50 anos atrás, onde Jonas, o hoje frade, nem havia nascido.
Ele não falou nada para o colega monge. Apenas se ajoelhou, tocou a terra e sentiu uma lágrima escorrer sobre a face.













