De todos os secretários escolhidos por Poio Novaes, Vanda Nassif tem uma da mais árdua missão: fazer as coisas acontecerem na saúde de Avaré, que é praticamente um emaranhado de problemas.
Desconhecida do grande público, esta enfermeira aceitou este desafio há cerca de seis meses, quando Miguel Chibani deixou a pasta. E “entrar no lugar” de Chibani é outro grande desafio para qualquer ser humano. Na entrevista concedida a Revista O Avaré, Vanda afirma que nada disso a assusta.(As informações são da Revista - O Avaré)
Vanda Corina do Carmo Lovison Nassif Avellar é graduada em enfermagem pela Universidade do Sagrado Coração (USC) e possui vários cursos como Protocolos Clínicos na Atenção Básica, Sistematização da Assistência de Enfermagem, Capacitação em Sala de Vacina, Saúde do Adolescente, Atendimento Pré e Intra-Hospitalar, Aprendendo a Cuidar do Idoso. É habilitada em Enfermagem Obstétrica e já atuou como Diretora de Atenção Básica, Enfermeira-Coordenadora, Gerente de Enfermagem, Coordenadora e Docente, Enfermeira Chefe de UTI, Enfermeira Obstreta. Realizou trabalhos voluntários em eventos de caráter social e beneficente no Clube das Acácias e Grupo de Apoio a Adoção “Filhos do Amor” de Avaré.
Abaixo, com a palavra a secretária de Saúde, Vanda Avellar.
Revista O Avaré – A senhora é uma enfermeira, sem qualquer experiência política e, no entanto, assumiu a pasta mais complicada de qualquer governo. Se não bastasse isso, entrou substituindo Miguel Chibani, que era quase uma unanimidade no meio. O que te levou a aceitar um desafio tão grande?
Vanda Nassif - Nos 20 anos que estou em Avaré, me recordo que a maioria dos secretários municipais da Saúde foi profissionais técnicos ligados à saúde. A saída do Miguel Chibani ocorreu a pedido dele, de forma consensual. Ele me consultou se eu aceitaria assumir o cargo em razão da continuidade do trabalho que vinha fazendo, pois eu já era responsável por uma parcela significativa da saúde que vinha sendo reestruturada, a área de atenção básica. O prefeito Poio me formalizou o convite com base no conhecimento do meu trabalho.
Revista O Avaré - Neste período que está à frente da Saúde, quais o progresso a senhora acredita que já houve para o município?
VN - A abertura de duas novas Equipes de Saúde da Família para atender o São Rogério e a Vila Operária, hoje em pleno funcionamento. A adequação do quadro de enfermeiros e farmacêuticos conforme determinação dos conselhos de classe, com enfermeiros em período integral nas Unidades de Saúde e farmacêuticos em todas as farmácias.
Após a conclusão da ampliação das Unidades do Brasil Novo e do Duílio Gambini, serão implantadas salas de vacina em ambas. Na UBS da Vila Jardim teremos o Centro de Fisioterapia Municipal remodelado, equipado e com acessibilidade. Tivemos também investimento em capacitação profissional para funcionários: triagem auditiva neonatal, saúde mental, técnicas de curativo, sala de vacina, tuberculose, treinamento de acolhimento para funcionários da recepção, micropolíticas de saúde. Outro ponto positivo foi a vinda de 4 dos médicos do Programa Mais Médicos para as equipes existentes nas Unidades Bonsucesso, Jardim Brasil, Vera Cruz e Bairro Alto com oferta de mais consultas objetivando a redução de fluxo de atendimentos da Atenção Básica no Pronto Socorro.
Ressalto a importância da integração entre Saúde, Assistência Social e Educação no desenvolvimento do Programa Saúde na Escola assim como a reestruturação do Centrinho onde há atendimento com psicólogos, fonoaudiólogos e fisioterapeutas para as crianças. Com a Assistência, temos o atendimento psicológico às crianças abrigadas assim como o auxílio na estruturação e elaboração do projeto assistencial médico e de enfermagem no Centro Dia do Idoso. Há também o encaminhamento dos pacientes que necessitam de assistência em caso de dependência química e transtorno mental.
Revista O Avaré - Quando o Pronto Socorro de Avaré terá, enfim, um raio X? A senhora acha aceitável estar há tanto tempo sem este equipamento? Não existe outra forma de agilizar a compra/conserto deste aparelho?
VN - Todos os pacientes foram atendidos ou através de contrato com nosso fornecedor ou em Arandu. No momento contamos com um equipamento portátil para atendermos o básico e não sobrecarregar a Santa Casa. Tivemos inúmeras dificuldades com a manutenção pelo fato de o RX digital ser importado e sua manutenção levar em torno de 6 meses ou mais entre trâmite de licitação e alfândega. Já cumprimos todas as obrigações legais para efetivar a solicitação do conserto. Nenhuma empresa do segmento trabalha com pronta entrega devido à especificidade do equipamento.
Revista O Avaré - Quanto a Prefeitura paga para usar o raio X da Santa Casa?
VN - Existe um convênio com a Santa Casa através de tabela SUS. Os exames excedentes são pagos segundo a tabela.
Revista O Avaré - A Saúde é uma das pastas mais criticadas na Câmara. O que tem sido feito para resolver problemas tão básicos como falta de copos, álcool, etc...?
VN - Nos meus 30 anos de saúde, estou há 21 anos só em Avaré. Vivi e trabalhei em governos anteriores e as dificuldades sempre ocorreram, até maiores. É preciso reconhecer todos os investimentos que estão sendo feito a médio e longo prazo. Apesar das dificuldades estamos evoluindo.
Revista O Avaré - Qual a avaliação que a senhora faz do serviço prestado pelo Gamp?
VN – O Gamp é responsável pelos plantões médicos do Pronto Socorro e quando houve algum problema a empresa foi notificada para as devidas regularizações. Na falta do plantonista há o devido desconto no plantão. Posso dizer que há sempre possibilidade de melhorarmos, independente de empresa, principalmente com propostas e contratos melhores elaborados voltados às nossas necessidades e realidade.
Revista O Avaré - A Secretaria investiga a denúncia de possível omissão de socorro que teria acontecido no P.S.? (Caso do jovem que faleceu no dia 15 de setembro, na Avenida Paulo Araújo Novaes).
VN - O código de ética médica diz que o médico se responsabiliza em caráter pessoal por seus atos profissionais. A Secretaria solicitou esclarecimentos e a empresa imediatamente substituiu o profissional, fez um Boletim de Ocorrência e foi aberta uma sindicância para apuração dos fatos e um protocolo junto ao conselho de classe. Este caso foi transformado em um fato político e, na época, um vereador tentou denegrir a imagem de uma equipe que trabalha há anos salvando vidas. Isto é inadmissível.
Revista O Avaré - Munícipes afirmam que, desde que a senhora assumiu, voltaram a ter dificuldades em encontrar remédios e materiais que eram fornecidos através de mandados de segurança. Porque isso vem acontecendo?
VN - Esta informação não procede. Se deixarmos de atender mandado de segurança, estamos descumprindo a lei e somos penalizados por isso. Já estive várias vezes na Defensoria Pública e na Procuradoria para tratar de diversos casos. Existem casos que necessitam ser reorientados. Não podemos esquecer da Farmácia Popular, onde medicamentos são fornecidos pelo Estado; medicamentos especiais que não são fornecidos pelo Estado nem pertence a REMUME (relação municipal de medicamentos) ou RENAME (relação nacional de medicamentos). Na comparação entre o último quadrimestre de 2013 e o 2º quadrimestre de 2014 houve aumento considerável no fornecimento de medicamentos conforme apresentado em Audiência Pública.
Revista O Avaré - A construtora da UPA paralisou o serviço por várias vezes, porque a Secretaria insistiu em manter a mesma empresa, que também apresenta problemas em outras cidades?
VN - A empresa que está construindo a UPA ganhou a licitação, apresentou todos os documentos e os problemas começaram a ocorrer depois. Se descredenciarmos a empresa agora, temos que abrir nova licitação e isso entra em conflito com os prazos determinados pelo governo federal.
Revista O Avaré – A senhora é titular de uma das principais pastas do governo Poio Novaes, no entanto, é pouco vista em eventos. Em um cargo tão visado, você não deveria estar mais presente?
VN - Só deixo de participar de eventos quando questões prioritárias da pasta da Saúde definem onde devo estar.
Revista O Avaré - Parte da imprensa também reclama da sua “ausência”. Como é seu relacionamento com a imprensa de Avaré?
VN – Acredito no profissionalismo e na ética, que infelizmente nem sempre existem. Tenho bom relacionamento com vários jornalistas.
Revista O Avaré – E a falta de ginecologistas na rede básica, será solucionada quando? Gestantes continuam sendo atendidas no Pronto Socorro por este motivo.
VN - A falta de especialistas é uma realidade não só em Avaré, mas no Brasil. Contratamos três ginecologistas, porém necessitamos de mais e já solicitamos abertura de novo chamamento público. As gestantes são atendidas no CAISMA desde 2009 além da maternidade da Santa Casa. Consideramos em 2015, com implantação e capacitação das novas equipes de Saúde da Família, descentralizar o pré-natal de baixo risco para as Unidades Básicas. De qualquer maneira sempre haverá após o horário de atendimento das unidades o atendimento clínico de gestantes no PS.
Revista O Avaré - No início do governo Poio, quando a senhora era diretora dos postos de saúde houve uma denúncia de que este cargo foi criado direcionado a você. O que tem a dizer sobre isso?
VN - Anteriormente, existia um Coordenador de PAS e um Coordenador de PSF além e 10 cargos de Diretores de PAS preenchidos por muitos comissionados. Não havia integração entre UBS e PSF. Para a criação do cargo de diretora, foram excluídos os 10 cargos de diretores. Considerando o que recomenda a portaria 2488 de 2013 do Ministério da Saúde sobre a Política Nacional de Atenção Básica, o novo cargo substituiu os outros 12 em prol da Atenção Básica.
Revista O Avaré - O que esperar da Saúde para 2015?
VN - Em primeiro lugar, que Deus nos dê saúde, proteção e orientação para prosseguir. Temos uma equipe fortalecida e consciente que ninguém faz nada sozinho. Estamos a cada dia mais empenhados em busca de melhores resultados na gestão. Nossas metas são, através de emendas aprovadas, a reforma e a aquisição de equipamentos para o Posto da Rua Acre, finalizar as obras da UPA e das Unidades do Santa Elisabeth, Paineiras, Paraíso, Plimec e Ipiranga, ampliações das unidades da Vila Jardim e Brasil Novo e a reforma do Duílio Gambini. Além disso, devemos iniciar obra do Centro Especializado em Reabilitação, continuar o investimento na frota com mais ambulâncias, vans e micro-ônibus, promover um concurso para completar as novas equipes com agentes comunitários de saúde.
Também é nossa meta implantar em todas farmácias o sistema Horus para controlar a oferta de medicamentos, implementar o protocolo de assistência de enfermagem nas unidades, elaboração do protocolo clínico no PSM e implantação da classificação de risco, regularizar o piso salarial dos agentes do PSF, informatizar salas de vacinas, - continuar investindo em capacitação e melhoria salarial dos profissionais. Saúde a todos!
Mensagem
A saída do Miguel Chibani ocorreu a pedido dele, de forma consensual. Ele me consultou se eu aceitaria assumir o cargo em razão da continuidade do trabalho que vinha fazendo, pois eu já era responsável por uma parcela significativa da saúde”
“Tenho 30 anos de saúde. Vivi e trabalhei em governos anteriores e as dificuldades sempre ocorreram, até maiores”
“Acredito no profissionalismo e na ética da imprensa, que infelizmente nem sempre existem. Tenho bom relacionamento com vários jornalistas”













