Vivemos tempos sombrios. Tempos e fatos que tão logo se tornarão em ‘Eras’, que julgarão e subjugarão o ser-humano do século das sombras e da inteligência artificial.
Momentos de vida que ficarão marcados em máquinas e nas nuvens, porém sem nunca terem sido vividos na plenitude - no corpo e no espírito!
O mundo gira-gira entre translações e entre bilhões de pessoas que mal se conhecem, pouco se interessam pelos seus semelhantes e, acabrunhadamente, simplesmente, querem saber de si só, enquanto os demais são complementos-incompletos de algo surreal que figura ao lado- uma vida é apenas mais uma entre tantas que sem limites, usurpam alienadamente seu tempo, sem sequer terem noção de que existe algo a mais a ser feito; algo como amar e entender o que acontece ao seu lado.
Na Era da Indiotização, pouco importa o que ocorre ao redor do homem, desde que o homem esteja bem, o resto é uma simples indumentária que figura como um nada em lugar algum.
Não existem mais às verdadeiras amizades. Existe, apenas, o convívio pouco intenso e descartável, afinal, vivemos num mundo descartável, onde tudo passa, e, pouco fica, definitivamente.
A história está sendo rasgada pelo homem, por não dar valor ao tempo pré-existente. Não se vive – flutua-se – de acordo com o tempo e o espaço, ou seja, tudo é descartável.
Os homens vivem de máscaras sociais. Em determinado lugar tem uma face, enquanto em outra, muda-se o apetrecho e a face.
Subjugados ao nada, o homem vive sem saber ao exato o porquê de sua existência.
Entre todos, alguns são algo no nada, enquanto a maioria não é nada em lugar algum.
Somos, hoje, seres naturais que se reinventaram no jugo artificial. Meros alpendres que um dia, com a morte, desaparecemos.
Neste mundo arrogante e decrépito, somente a morte é certa!
André Guazzelli é jornalista













