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“Adolescência” mostra que não sabemos o que se faz nas escolas e nas famílias

Por Jornal A Bigorna 05/04/2025 01:00:00 590
“Adolescência” mostra que não sabemos o que se faz nas escolas e nas famílias

Talvez alguém das ciências humanas devesse dizer que, na verdade, não temos a mínima ideia do que estamos fazendo. Principalmente na educação dos mais jovens, um terreno baldio de modas ideológicas, teóricas e de marketing.

A filosofia, graças a Deus, como não serve para nada, segundo o filósofo espanhol Ortega y Gasset, é mais livre do que suas irmãs ciências humanas. Por isso mesmo, um filósofo que não tenha sido tomado pela sanha de "transformar o mundo" —esse mau-caratismo travestido de bom-mocismo— pode, no esteio da tradição cética grega, reconhecer que nunca soubemos, ao certo, o que fazemos.

Talvez alguém, nas ciências humanas, deveria confessar em viva voz que não temos a mínima ideia do que estamos fazendo com a sociedade, as crianças, os jovens. O mundo sempre esteve à deriva, agora finge que não está.

A série britânica "Adolescência" não é apenas um panfleto contra a misoginia. Provavelmente maior do que o debate público sobre ela, esta série é um exemplo de que não temos a mínima ideia do que estamos fazendo nas escolas e nas famílias. Melhor seria confessarmos logo publicamente.

Alguém do mercado da saúde mental ou da educação deveria gritar em alto e bom som: "sentimos muito, mas não temos a mínima ideia do que estamos fazendo!" Os pais, também, fariam um grande favor a si mesmos e aos poucos filhos que ainda restam se confessassem, como Santo Agostinho o fez lá entre os séculos 4 e 5, "não conseguimos ter controle do que está se passando!"

O debate público dos últimos tempos se tornou miserável como um drogado que se toma, nas suas obsessões idiotas, por sábio. A tendência é carregar nos tons da misoginia —outra palavra da moda feita para calar uma série de outras tragédias, como ela— e fechar o debate: devemos aprofundar a educação dos meninos para que deixem de ser violentos.

Afirmar que todo menino é violento é um preconceito sagrado das feministas. No entanto, quanto mais se repetir com megafones que devemos torturar os meninos para saberem que são os únicos culpados do mundo ser como ele é —aqui vai um exemplo da nossa miséria, agora temos certeza de que sabemos o porquê do mundo ser como ele é—, mais revoltados eles ficarão.

Os homens não ficarão imóveis esperando que as missionárias feministas digam quando podem respirar. A verdade é que o convívio na sociedade caminha para o insuportável, e não temos a mínima ideia do que fazer.

O debate público fechará questão em cima de que a única causa de o menino matar a menina na série é uma questão de gênero. Os próprios realizadores podem cair aquém do que fizeram como arte e acreditarem na versão reduzida do que acontece diante dos nossos olhos.

A trama nos dá inúmeros detalhes de que não temos a mínima ideia do que estamos fazendo nas escolas, nem como sair dessa enrascada. A visita dos policiais à escola mostra adultos abobados diante de adolescentes cínicos, irados, agressivos, de ambos os sexos. A funcionária encarregada de acompanhar os policiais está mais preocupada com a imagem da escola e possíveis processos contra a instituição do que qualquer outra coisa —preocupação muito comum atualmente.

Na série, termos como "incel" e "red pill" aparecem no Instagram dos alunos —olhe no Google se ainda não sabe o que são. "Oitenta por centro das meninas querem 20% dos meninos", ou seja, quase toda menina, na escola, quer o popular, o fodão.

As escolas sempre foram assim, mas hoje se mente sobre isso. A maioria dos moleques são celibatários involuntários, o incel —ou seja, não pega ninguém. Humilhação pública nas redes. Esse ressentimento os leva ao colo dos rancorosos "red pill" na machosfera.

Ser capaz de conquistar uma menina sempre foi um divisor de águas entre "donzelos" e homens no mundo dos meninos.

As redes sociais são uma catástrofe, deveriam simplesmente acabar. Mas, quem quer isso? As militâncias, de todos os tipos de lixo, querem é mais mídias sociais e engajamento.

A psicóloga só quer enquadrar o menino assassino de 13 anos nos modelos de violência de gênero. Chega ao absurdo de perguntar a ele "o que você pensa da masculinidade?" Suspeita do pai, como sempre —"o pai suspeito" é o estereotipo comum que serve de argumento para homens jovens não querer ter filhos. A psicóloga, assustada, é parte do problema, não da solução, assim como os professores.

O último episódio, sobre a família do menino assassino, é o melhor: a complexidade da vida em uma família afetiva e funcional, mas devastada pela contingência e pela impossibilidade de ir além das suas possibilidades humanas.

 

*Por Luiz Felipe Pondé

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