Por Assis Châteaubriant – Fiquei afastado certo tempo da escrita, mas não dos noticiários. Como não podia escrever li os jornais de nossa cidade.
Entretanto, nesta última semana, quando fazia uma curta caminhada, passei defronte a um comércio e senti vontade de tomar uma tubaína. Fazia tempo que não tomava um dos refrigerantes mais antigos.
Entrei pedi a tal tubaína. Enquanto o senhor pegava o refrigerante, notei que logo ao meu lado havia uma senhora de idade sentada tomando um copo de água.
Comecei a tomar o refrigerante e a senhora pediu mais um copo de água, onde o atendente encheu-lhe de água da torneira.
Observei que a mulher estava um tanto quanto cansada. Do lado de fora avistei um carrinho para recolher reciclagens.
Ofereci o refrigerante à senhora, que aceitou. Perguntei quanto anos ela tinha, e ela me olhou e disse que tinha 79 anos. Não satisfeito, ao notar seu jeito, perguntei a senhora se o carrinho lhe pertencia.
Ela anuiu. Havia boa quantidade de reciclagem. Passavam das duas da tarde, e ela me contou que voltaria para sua casa, esquentaria o almoço e daria os remédios para seu filho.
Fiquei intrigado, afinal, uma senhora de 79 cuidaria de um filho; não me contive e perguntei o que havia com ele.
Ela me disse que pelas manhãs faz a coleta de reciclagem, e, depois cuida do filho de 40 anos, o qual foi acometido de um AVC (Acidente Vascular Cerebral).
As idiossincrasias da vida são tão tristes. Uma senhora com poucas condições, com um filho doente, tendo que trabalhar pelas ruas de Avaré, enquanto certa parcela conta com uma vida de luxo, dinheiro e festas.
Paguei outra tubaína e deixei para a senhora. Saí. Fui vagando andando sem direção. Sentei-me num banco do Horto Florestal. Milhares de pensamentos vieram a minha mente e pensei sobre a vida e seu sentido. Não cheguei a lugar algum. Apenas fiquei por mais um tempo, e voltei para casa.
Tomei um banho, e, depois um café com leite e pão. Sentei em minha poltrona, mas não consegui ler nada. Apenas a cena marcante de uma mulher exausta que luta para estar viva e cuidar do filho cutucavam minha mente.
Confesso que não mais me assusto com as banalidades e a violência da vida, pois tudo caminha para piorar cada vez mais. Entretanto no fundo de meu âmago me senti um ser incapaz e veio à mente, ‘por que uns com tanto e outros sem nada’?
Chatô é escritor.













