Por André Guazzelli – “Minha Terra tem palmeiras onde canta o sabiá, às aves que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá”.
Hoje acordei e, bem, enfim era ou é aniversário de minha cidade. Minha, sua, nossa Avaré, e a primeira coisa que me veio à cabeça foi o lindo poema de Gonçalves Dias, que primorosamente exalta o amor a Terra Natal.
Lembrei-me de muitas coisas. Olhei fotos dos tempos antigos, quando ainda sequer havia calçamento nesta terra que um dia foi muito mais bela do que hoje é.
Se você ama esta cidade como eu, que nasci e vivi a vida toda aqui, tente se lembrar dos momentos bons, das felicidades que esta pequena cidade lhe proporcionou, dos filhos que viram crescer, da família unida, e creio que juntos rememoraremos muitas coisas belas que por aqui vivemos. E mesmo você leitor, que não nasceu aqui, mas adotou Avaré como sua cidade, seja sempre bem-vindo!
Não fiquemos no exílio de nossa própria história, porque você leitor, desde o mais rico de todos ao mais pobre da cidade faz e sempre fará parte da história desta bela cidade.
Viva Avaré!
Canção do exílio
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar sozinho, à noite
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que disfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
De Primeiros cantos (1847)
Gonçalves Dias


















