Jornal A Bigorna
Jornal A Bigorna
Jornal A Bigorna
  • NOTÍCIAS
  • LITERATURA
    • Detetive Tango
  • LITURGIA DO ANDRÉ GUAZZELLI
  • PALANQUE DO ZÉ
CLOSE
  • SEC
  • FEAP

“Terra Selvagem” – 2º Capítulo

Por Jornal A Bigorna 12/05/2016 19:34:09 2393
“Terra Selvagem” – 2º Capítulo

Há mais ou menos um mês que não saía de casa. Parecia um velho escarniado e apagado do mundo. O assassinato que presenciei teve tanto impacto em minha vida que fiquei totalmente fora de si. Fora do mundo, muito embora, tivesse visto coisas piores, mas não ao vivo, ou com meus próprios olhos.

Não tomava banho há três dias. Numa manhã ensolarada, ao ver os raios do sol se abater em minha janela, disse a mim mesmo que, pronto, bastava. Estava-me comportando como um doente mental.

Nas duas semanas seguintes me dediquei a todo tipo de investigação possível para saber sobre aquele homem-sobrenatural. Li todos os jornais, revistas, e nenhum comentário sobre a morte da meretriz.

Por fim, liguei pro Celsão, investigador velho de guerra, há mais de 45 anos na Polícia Civil, e que só não havia ainda se aposentado, por que pagava quatro pensões alimentícias. E mantendo-se no cargo ele ganhava o abono permanêcia, o que ele dizia, dava para pagar a conta do bar.

Conhecemo-nos logo que entrei para a perícia. O Negrão de 1,89 de altura, na época era o homem que fazia os olhos das mulheres brilharem. Poucos possuíam carro, e ele tinha seu Lincoln conversível azul. Imagine o estrago que ele fazia com as meninas. Hoje ele tinha um fusca amarelo.

Liguei para ele e pedi o favor de levantar tudo sobre o assassinato da menina. Não demorou muito ele me ligou.

“Pô Saulo, você aposentado pirou, caraca. Era uma putinha. Foi feito o B.O e tchau. Não temos tempo pra investigar essas merdas. Mas tudo bem, vou te mandar por e-mail cópia do boletim”.

Despedimo-nos e depois de uma bela ducha, troquei de roupa e saí para comer algo. Já passavam das sete da noite. Comi uma massa, beberiquei um uísque, e fui para a Praça da Catedral. Isso mesmo, assim estava marcado em minha mente:

Iria caçar aquele flagicioso...

Foram muitas noites no bar do Português. Duas ou três semanas no mesmo lugar, até ele baixar às portas, e eu sair desiludido. Sem nada; perdido.

Refiz trechos, li relatórios, procurei por tudo, até listas de cadeirantes na cidade, mas tudo em vão. Estava prostrado naquele dia em casa, e acabei dormindo.

Quando acordei, já passavam da meia-noite.

Resmunguei troquei de camisa e saí desbagulhado para o bar do Portuga. Já haviam sido várias noites de campana, e não poderia perder àquela noite.

Entrei no bar que estava vazio àquela noite. Embora a noite estivesse convidativa, pouca gente ainda rumava pelo centro.

Sentado e tomando meu trago, só ouvia o tic...tac do relógio que marcava três da manhã. Exausto e bêbado me despedi do bigodudo, que, como sempre, nunca respondia, e saí noite afora. Trôpego e cambaleante; percorri as vielas, onde as moças estavam sempre sorrindo e se oferecendo. Fui cercado por três delas que me bajularam. Demos risadas e, por fim, desci a ladeira, onde as ruas eram ainda mais escuras, e o paralelepípedo resistia aos tempos modernos.

Conforme mais me afastava, menos garotas haviam e mais escura se tornava a noite. Imaginava-me no cenário de Jack O Estripador.

As ruas tortas e já sem veículos eram o prospecto de que, ali, a noite estava acabada e muito escura. Na escuridão, todos os gatos eram pardos.

De perito criminal, a investigador amador. Que mudança brusca de vida, pensei. Sequer uma arma eu portava. De repente, uma garoa começou a sibilar na noite horrenda. Quando dei por mim, já estava na parte mais afastada da cidade, onde andarilhos se acotovelavam por um melhor lugar para dormirem.

O cheiro era horrível. Andarilhos e ratos disputavam espaço e comida nas latas de lixo. Ali era o submundo que a sociedade fingia que não existia.

Andei, não sei mais quantos metros, e notei algo diferente. Numa curva, virava algo rapidamente. Apertei o passo e cheguei até a esquina. Notei que a rua não tinha saída. Foi quando meus olhos pregaram uma peça em mim.

Lá estava ele. O homem da cadeira-de-roda. Estávamos pouco menos de 50 metros de distância um do outro. Ele de costas, e uma moça agachada fazia movimentos com a cabeça. Senti vontade de, naquela hora ter algo em mãos. Matá-lo-ia, ali mesmo, sem testemunhas.

Foram alguns minutos e comecei a notar o homem. Era branco, cabelos castanhos, barba, e era gordo.

Meu algoz era gordo.

Finalmente, a garota parou, mas ela não saiu dali. Continuaram conversando por muito mais tempo. Estava exausto e pensava no que àquele homem iria fazer naquela noite.

Por fim, ela se levantou, mas ele fez com que ela novamente se agachasse, e notei que ele dizia algo em seu ouvido e lhe entregava algo. Virou a cadeira e estava saindo. Corri atrás de uma caixa enorme e me escondi. O gordo saia, desta vez, diferentemente das outras, muito devagar. Afastava-se lentamente. Parou olhou pata trás e nós dois olhamos a moça que chorava ajoelhada. Não entendia o porquê daquilo. Por que chorava. Torcia para que o homem fosse embora, e poder ajudá-la.

Entretanto, num segundo a mais ela tirou um punhal e enviou no próprio olho, caindo rapidamente ao chão, onde seu sangue se espalhava rapidamente.

Quando olhei para o cadeirante, ele já havia sumido. Corri até moça, mas ela, já, jazia ali. Jovem, bela, atraente havia enterrado um punhal em seu próprio olho. Afinal, porque fizera aquilo, pensava, enquanto um dor excruciante tomava conta do meu peito.

Minha cabeça dava voltas como um filme de terror. Tudo parecia rodar. Fitei-a novamente e a segurei em meus braços, bambos e desesperados. Só aí foi que, finalmente, a reconheci e caí desmaiado.

 

 

 

NÃO DEIXE DE LER O CAPÍTULO 1º NO LINK ABAIXO:

www.jornalabigorna.com.br/page/noticia/conto-terra-selvagem-

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Compartilhar

Copiar link

E-mail

WhatsApp

Telegram

Facebook

Linkedin

X

Bluesky

Veja mais
Outras Notícias
Avaré
Bairro Terras de São José terá viaduto; obra é orçada em 90 milhões
4-setembro-2026 113
Avaré
Moradores do bairro Terras de São José receberão  nova unidade e saúde (UBS)
4-setembro-2026 241
Literatura
Associação Espírita Arco Íris realiza, hoje, dia 09 , caminhada em prol ao Dia Mundial de Conscientização  do Transtorno do Espectro do Autismo
4-setembro-2026 97
Avaré
Prefeito Roberto Araujo anuncia projeto que valoriza profissionais da Educação
4-setembro-2026 190
Acidente
Acidente com três carretas, bitrem e carro interdita a Raposo Tavares no interior de SP
4-julho-2026 2319
Avaré
Câmara reprova contas de Jô Silvestre
4-julho-2026 2126
Avaré
6º Simpósio do Autismo, que acontece no dia 24 de abril, está com inscrições abertas
4-julho-2026 1666
Avaré
Vereador esclarece licitação de R$ 39 milhões para merenda em Avaré,  critica "pânico" na rede e críticas tendenciosas com motivações políticas
4-julho-2026 3608
Avaré
Barra Grande terá rodeio em cutiano no domingo, dia 12
4-julho-2026 759
Avaré
Avaré recebe etapa do Circuito Interior de Jiu Jitsu
4-julho-2026 1771
Siga-nos
Facebook
Instagram
Whatsapp

Publicidade

  • fsp
  • inimed-covid-19
  • atpq
  • mare
  • cameras
  • FEAP
  • SEC-aquatico-
  • pontodentes
  • onecenterlateral
  • cafe
  • acia
  • arcoiris
  • SOS CARTUCHOS
  • testando
INFORMAÇÕES DO JORNAL
INFO

Jornal A Bigorna

Jornal eletrônico- Avaré e Região
contato@jornalabigornaavare.com.br
www.jornalabigornaavare.com.br

Categorias
C
  • Literatura
  • Esporte
  • Cultura
  • Política
  • Geral
  • Polícia
  • Palanque do Zé
  • Saúde Pública
  • Artigo
  • Editorial
  • Educação
  • Papo com a Magali
  • Administração Pública
  • Avaré
  • Internacional
  • Nacional
  • Entrevista
  • Região
  • Política Nacional
  • Política Internacional
  • Saúde
  • Crônica
  • Liturgia do André Guazzelli
  • O Palhaço
  • Detetive Tango
  • Conto
  • Poesia
  • Moda
  • Poesia
  • Acidente
  • Brasil: Polícia
  • São Paulo
  • Caso de Polícia - SP
  • Justiça ⚖

© Copyright 2025. Todos os Direitos reservados. | Desenvolvido por Officeweb

  • INÍCIO
  • Política de privacidade
  • NOTICIAS