Chovia naquela madrugada e o frio era intenso. Os homens da Seita estavam reunidos e já tinham um novo substituto para o padre. O Arcebispo seria seu sucessor.
O líder fazia anotações, enquanto os demais conversavam baixo. O negro alto estava ao lado do chefe. Então inesperadamente o chefe começou a delegar missões para cada um dos componentes. Estava feliz pelo “rim” ter chegado conforme ele exigira e congratulou o médico, embora este não estivesse na reunião.
“Senhores, por favor, esta semana foi muito produtiva. As três mulheres que deveriam ser vendidas para Portugal foi um sucesso, e a parte dos senhores já está nas respectivas contas. O embaixador do Brasil em Portugal pediu 5 milhões para que elas não passassem pela alfândega. Esta semana tenho negócios mais sérios para fazer. O médico do Hospital Geral virá aqui. Temos que “operar duas pessoas – coisas simples – mas os senhores não precisam se preocupar, eu já estou providenciando tudo. ”
Àquele dia era um dia especial para a Seita. Era a data de fundação da maior Seita que operava no mundo há mais de quatro séculos. Assim, todo o aniversário exigia um presente e um culto diferente.
Eles se levantaram e foram ao salão ao lado. Enorme de estilo europeu, com grandes vigas em estilo romano e mármore alemã. O teto não era tão alto, afinal, ali eles estavam debaixo do centro da Catedral.
O trono todo adornado em ouro ficava sentado o líder. Os demais formavam uma roda em poltronas antigas e raras, porém extremamente conservadas e trabalhadas a mão.
Foi servido o vinho num total silêncio. Fizeram a iniciação do Arcebispo com pompa e aplausos. Foi servido comida e muito vinho. Quando todos estavam extremamente embriagados, o líder chamou o auxiliar e deu a ordem de trazer o sacrifício.
“Senhores atenção. Nosso sacrifício está vindo. ”
Em poucos minutos o homem alto e forte trouxe um bebê recém-nascido. Àquilo aguçou o líder. Sentia um prazer imenso e àquela era a primeira vez que ele como chefe iria perpetrar seu primeiro sacrifício.
Ele colocou o bebê no centro embrulhado num cobertor, que dormia. Então o líder chegou perto da criança. Sua feição era de extremo terror e sentia-se como se algo divinamente demoníaco estivesse se apoderando de sua alma. Os membros – ao redor - tremeram quando viram qual seria o sacrifício. Um deles chegou a fechar os olhos, mas foi repreendido pelo líder para mantê-los aberto.
Ao lado do bebê, ele tirou seu punhal especial de ouro, usado apenas em momentos considerados especiais. O punhal era passado de líder para líder quando o anterior morria.
De repente...
Deu um grito dizendo palavras em aramaico e estocou o punhal no coração da criança.
Saulo acordou assustado. Olhou às horas. Três da manhã. Tinha estado na casa da pessoa indicada pelo ministro. Durante todo o dia ele foi minuciosamente aprendendo o que ele jamais em sua vida pensasse que existisse.
Foi uma conversa tensa no começo, entretanto, depois o escritor ficou mais calmo e o diálogo ficou mais fluído.
Antes de ir embora, o escritor ascendeu mais um cigarro. Deveria ter fumado um maço inteiro durante o dia e muito café.
Ao se despedirem, o escritor saiu à porta e olhou o movimento na rua. Sabia quando estava sendo observado.
Depois se virou e marcaram a data em que iriam à residência do ministro. Não antes, segurou Saulo pelo ombro e disse:
“Você está entrando num submundo, onde poucos ficam vivos. Se quiser voltar atrás eu entenderei. Muitos policiais já foram mortos pela Seita, por tentarem acabar com ela. Agora vá, descanse e tenha cuidado. ”
O escritor de olheiras profundas apertou fortemente a mão de Saulo e se despediram.
Quando estava no táxi, já próximo a sua casa, percebeu que um carro preto passava devagar ao seu lado. Quando viu o vidro todo escuro se abriu e uma pistola foi apontada para ele. Um tiro que pegou a parte superior da porta e o jogou para trás. Ele teve tempo de apenas gritar “pare”, preciso descer. O carro negro saiu lentamente. Seria àquilo um recado?
Despertado abruptamente não conseguiu dormir mais. Tentou ligar para o escritor para contar o que ocorrera, mas seu telefone estava desligado. Por volta de 6 da manhã seu celular tocou. Era o escritor.
“Tudo bem? ”
Então Saulo contou o que havia acontecido com ele. Esperou por um tempo até o escritor responder.
“Eu sabia. Eles estão por toda a parte. Estou indo para sua casa. Agora, não há volta. ”













